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Os filmes da sexta-feira

A idéia era trabalhar durante todo o feriado, porque eu tô pelas tampas de pendência pra resolver (e um dos meus clientes resolveu me mandar mais coisas na sexta às 11h da noite pedindo urgência - não vou reproduzir aqui a minha reação porque este é um blog limpinho e educado).

Mas como não tava saindo absolutamente nada, larguei. Eu tinha uma festa pra ir à noite, mas não tinha roupa. Não é não-tinha-roupa do tipo tenho-um-armário-cheio-e-não-gosto-de-nada. É não-tenho-roupa do tipo não-tenho-nenhum-sapato-fechado-que-não-seja-all-star e não-tenho-nenhuma-calça-jeans-normal-só-capri-e-tá-frio-caralho.

Pelo humor das pessoas que foram daqui de casa, a festa devia estar um saco. Especialmente porque choveu e fez frio.

Enfim, fiquei em casa vendo meus filminhos. Primeiro assisti Bonnie e Clyde. Naquela época, o crime era novidade, então eles viraram ídolos (hoje em dia o crime tá completamente banalizado, então os criminosos viram ídolos do mesmo jeito porque é modinha, rá). Quer dizer, a história é meio sem graça (increase speed mode on) mas o filme tem tanto erro de continuidade que é engraçado, porque foi feito há trocentos anos e naquela época não existia internet pra listar isso fim.

Depois eu vi Ensemble C’est Tout, que é uma dessas histórias de amor cliché disfarçada de alternativinha. Ou talvez ela não seja disfarçada de nada, e o fato de ser um filme europeu é que dá essa impressão distorcida. Achei bonitinho, bobinho. Tô com preguiça de upar o cartaz no photobucket e colocar estrelinhas, então considera 4 pra esse filme aqui e 3 pro anterior tá?

Forma e Conteúdo

Quando eu crescer, quero ser designer. Sim, porque quanto mais eu estudo, mais eu me sinto uma micreira. Eu ainda tenho tanta coisa pra aprender, tanta referência pra acumular, que quando alguém me pergunta “que livros eu preciso ler pra ser um web designer” eu meio que me vingo falando difícil, só de raiva desse mundo cruel.

Por isso esses dias até os filmes que eu vejo são pra estudar (ok, não todos), mas não é nada sobre Photoshop ou CSS. É teoria pura do design. Uma coisa linda. Uma coisa poética. Uma coisa que faz a gente pensar, que deixa o cérebro trabalhando, que faz a gente criar paralelos com coisas nada a ver mas que são exatamente a mesma coisa.

Tipo música. A letra da música é o conteúdo. A forma como ela é tocada, é o design.

A não ser que você tenha vivido em retiro espiritual desde que nasceu e só tá voltando hoje, você já ouviu Como é grande o meu amor por você, do Roberto Carlos. Não interessa se você gosta dele ou não, você vai concordar comigo que é uma letra intensa. Pode ser cafona pra você? Ok, mas não é uma letra mediana.

Aí tem o tema de abertura de Amor e Intrigas, a novela da Record. Aliás, a abertura da novela daria um TCC sobre design, já que não combina absolutamente em nada com a história (eu meio que moro numa casa onde pessoas assistem novelas da Record), que é exatamente a mesma música do Roberto Carlos, mas cantada por um tal de Davi Moraes. Davi who? você me pergunta. Tbem não sabia, joguei no Google, e ele é ex da Ivete Sangalo, filho do Moraes Moreira, e aparentemente a coisa mais importante que ele já fez na vida foi dar uma entrevista pro Pânico.

A versão que o cidadão fez pra música do Roberto é mais ou menos como aquele site de empresa que fica na mão do sobrinho do dono. Uma merda. Não importa se a letra da música é fantástica, a forma como ela foi executada na versão do periguete é medíocre, a experiência de ouvir a música se tornou incômoda. Isso, crianças, é exatamente como o design ruim.

Você pode também fazer uma comparação com a letra de Mutantes, da Rita Lee. Não, essa música não é da Daniela Mercury. Certeza. Absoluta. A música cantada pela Rita no álbum Bossa’n Roll é linda, a versão cantada pela Daniela serviu pra tocar no rádio pro povão. O mesmo conteúdo, com design diferente pra públicos diferentes. E pra colocar uma pá de cal na dignidade, veio a Preta Gil regravar a música e fazer uma completa bosta. Neste caso, Preta Gil é o moleque que fez um cursinho na Microcamp e acha que é designer, mas não é nada na vida.

E da mesma maneira, existem letras da Rita Lee que funcionaram muito bem nos anos 80, mas que quando foram regravadas nos álbums mais recentes ficaram simplesmente lindas, como Saúde, Coisas da Vida (que no Acústico MTV é simplesmente *divina*) e algumas outras.

E, assim como gosto para o design, gosto musical não se discute. Assim como tem gente que prefere a Preta Gil à Rita Lee, tem gente que acha que usar Comics Sans (até o nome é babaca) é uma coisa absolutamente normal. Mas eu duvido que, se a Preta Gil enfiar na cabeça que do jeito que ela está hoje está bom demais, um dia ela vá virar uma cantora de verdade.

Eu tenho a consciência de que eu posso não ter aprendido ainda tudo o que eu preciso ou deveria saber, mas mesmo me sentindo uma micreira às vezes eu sei que eu tô bem acima da média. Tirando o shape, eu não sou uma Preta Gil da vida.

Decidam-se!

O mesmo site que falou sobre a proibição da internet na campanha eleitoral desmente toda a história (o mesmo site, mas não o mesmo colunista).

Cada um (não só no site, mas na Internet inteira e no jornal tbem) falou uma coisa, e se falou muito nisso, mas o velho jeitinho brasileiro sempre prevalece e tudo vai correr normalmente. Os candidados vão poder fazer o que bem quiserem, onde bem quiserem. Incluindo spam. E sempre haverá a esperança pra nós, desginers de pequeno porte, fazermos uma graneenha a partir de julho…

Scrubs, trabalho, bla bla

Coloquei Scrubs em dia, assisti até o episódio 7×06. Agora é esperar pelo 7×07 daqui uma semana e, se tudo der certo, em menos de dois meses eu nunca mais vou precisar ver o J.D. na frente.

Não adianta me olhar assim… eu amo o J.D. de paixão, eu absolutamente casaria com ele (né?), mas eu não quero uma oitava temporada de Scrubs… pra ser saudável Zach Braff precisa ser visto sóóó de vez em quando. O lance foi ver tudo de uma vez pra tirar do organismo.

Fazia tempo que eu não falava nele aqui no blog né? E sim, eu tenho problemas. Sérios. Com o Zach Braff. E com o J.D.

* * *

Fora ver Scrubs, eu trabalhei feito uma louca essa semana, pra variar um pouco. Blogar, só pelo Twitter mesmo. Rolou daquelas histórias com clientes que é completamente anti-ético colocar num blog pessoal. O que num certo sentido foi bom, porque eu recebi tanto e-mail de jiló me pedindo ajuda que nem tive tempo de ser sarcástica com eles. Quer dizer, foi bom pra saúde mental dos jilós né? Teve até estagiário me pedindo pra achar coisas pro trabalho dele. Dá pra imaginar um estagiário me pedindo pra fazer o trabalho dele num dia normal? Coitado… ia escutar o que não deve…

Realmente, eu não reclamo nem um pouco de trabalhar feito uma louca e cuidar de 4 jobs ao mesmo tempo durante a tarde. Pelo menos deu pra encomendar mais um item da lista e, olha só pra mim, já estou fazendo metade de um layout no Photoshop!

Só preciso colocar os deveres de francês em dia. Aula particular é uma dinâmica totalmente diferente… a professora usa o tempo da aula pra socar matéria na gente, e deixa toneladas de dever como complemento. Eu gosto, mas vou deixando pra lá, deixando pra lá, e na segunda-feira antes da aula eu meio que surto.

* * *

Mas o que não teve graça no trabalho essa semana foi a proibição da campanha eleitoral na Internet. Ah pelamor, colé? Não pode site, não pode blog, não pode orkut, não pode poha nenhuma!

A cada 4 anos a gente que não tem ligação com agências grandes tem a oportunidade de pegar um site daquele candidato mediano a vereador, enfiar a faca e dar uma viradinha, e agora querem tirar isso da gente? Bando de biscates.

Fora que pelo que eu andei lendo sobre isso, vai dar uma baita confusão porque mesmo os eleitores não vão poder se manifestar a favor de um candidato. Ou seja, vai ter eleitor se manifestando a favor do candidato concorrente de propósito, só pra fuder.

De qualquer maneira, eu confio no meu país e tenho certeza que até julho vão dar um jeitinho brasileiro nisso, e a gente vai ter nossos pequenos jobs de volta.

Fé na Pátria \o/

update: Acabei de ler no jornal que site vai poder, ou site ou blog, mas só. Já é alguma coisa. A parte boa é que os candidatos não vão poder fazer campanha por e-mail mkt. Pelo menos nisso acertaram…

Enquete: o que deixa a Kika mais irritada?

Todo dia eu recebo e-mail de orçamento. Alguns dias eu recebo mais, outros dias eu recebo menos. E por mais que eu tente ser clara na página de contato, as pessoas provavelmente preenchem o formulário sem ler nada do que eu escrevi pra facilitar a vida dos dois lados e enviam de qualquer jeito.

Aí eu tô aqui me perguntando o que me irrita mais nessa gente:

* Quando eles dizem “preciso de um orçamento pra um site, grato”. Só assim, sem dizer do que é o site, nem nada.

* Quando eles me perguntam “tem algum lugar onde eu possa ver seus trabalhos?”. Tipo, tem: a página inicial do mesmo site por onde essas pessoas entraram em contato comigo.

* Quando eu recebo um quase briefing bem detalhado sobre o trabalho: um monte de frescuras, script que faz isso, script que faz aquilo, e depois de mandar o orçamento eu recebo um e-mail mimimi dizendo que o site não precisa ser tão cheio de coisas como *eu* determinei, que precisa ser mais simples e custar 100 reais.

* Quando alguém me acha suporte técnico. “Ai, o cara que fez meu site sumiu e eu não tenha a senha, tem como você entrar lá e arrumar pra mim?”.

* Quando alguém me acha com cara de consultório sentimental, me pede um conselho, e me chama de “amiga”.

* Ou quando mais de uma coisa da lista acontece no mesmo e-mail (geralmente as duas primeiras).

Às vezes eu fico pensando se é só comigo. Dá a impressão de que eu sou um imã de gente burra, sabe? Mas aí eu lembro que se existe material suficiente pra manter o WTF-Brasil sem a minha ajuda, então eu não sou uma pessoa de dons especiais.

Será que existe alguma coisa que a gente tome pra não perder a paciência com essa gente? Um chá, talvez? Porque hoje por exemplo, contar até 10 não funcionou e eu fui levemente grossa com um jiló. Tipo, não que eu ligue, sabe? Porque quem quer ter um cliente como jiló? Geralmente essa gente só pergunta, pergunta, enche bem o saco e nunca mais aparece. Não se fecha um trabalho desse jeito. Pelo contrário, esse tipo de coisa só faz a gente perder tempo. Se eu pegasse o tempo em que preciso ficar respondendo e-mail estúpido e desse uma melhoradinha no meu portfolio ele não estaria com aquele visual so last year

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