Mother Bird
Ao contrário do que parece, eu não surtei. Bom, eu *sou* surtada mas essa é outra história. Eu só adotei um periquito.
Não que isso gere um arrependimento declarado, mas como dá trabalho. Tem que alimentar na seringa-mamadeira porque ele não sabe comer sozinho. Tem que dar atenção. Tem que deixar bilhete na privada pra todo o resto da casa lembrar de mantê-la fechada. E tem que limpar a bosta. Cara, vou te dizer que essa vida de mãe não é fácil. É isso é o que significa ter um filho loiro de olhos azuis: meu pequeno bebê é amarelinho de olho vermelho, ou lu-ti-no como dizem as pessoas que entendem da coisa.
É engraçado que o melhor presente que meu pai tenha me dado depois do meu papagaio (que eu ganhei com 7 anos, repare) tenha sido um par de calopsitas desenganadas, que ele tinha certeza absoluta de que iriam morrer - e não que aprenderia o caminho pro sofá tão rápido.
E, veja bem, isso não quer dizer que eu tenha ficado aliviada com o acontecido, mas eram dois bebês de apenas três dias quando eu os adotei. Não tinha nem os olhinhos abertos, não era nem perto disso aqui. E um deles morreu em uma semana porque era fraquinho, e enquanto o irmão já tinha traços de topete ^^ ele nem isso etc. Gripe também é uma coisa medonha, e entupir nariz com papinha é problemático.
Bom, de qquer maneira meu bebê sobrevivente era menor do que o normal pra idade, por isso ganhou o nome de Petit (Piti pro resto da família, uma finesse). Mas eu acho que agora ele já está no tamanho normal (50 parâmetros de comparação no meu quintal). E mesmo que ele seja menor do que os outros, já tem a manha de atacar calopsita adolescente metida a faladeira.
Escolher um nome pra essa criança foi um problema. Eu queria um nome de seriado: Veronica, Shayera, (tá, é macho, portanto…) House, Joey, nem mesmo Greg combinou com ele. Foi mesmo da minha mania de ser metida a besta e fingir que eu já sei falar francês fluente que surgiu o mon petit e por aí vai.
Juro que se eu soubesse que aproximando o Petit da gaiola uma calopsita iria encostar bem nele, começar a fazer uns barulhinhos parecidos com uma conversa mole e tomar uma bicada na cara eu teria filmado pra colocar isso no YouTube.
E por que eu não ostento uma foto do Petit num layout de blog? Porque eu sou uma mãe de primeira viagem que não teve nenhuma orientação no sentido de olha, se essa comida que você deixa ele babar ficar seca, não vai sair mais, entendeu?. E como só depois de quase 40 dias eu descobri que papinhas firmes sujam menos, o processo de limpeza das penas do peito está sendo metódico e demorado. Mas mãe que é mãe mantém foto do filhinho como papel de parede no computador até quando ele é babado.
Na verdade toda essa verborragia é fruto do arrependimento absoluto de não ter feito um blog pro Petit. Na verdade, isso seria nerd e patético, mas não que eu ligasse. Acho que eu desanimei com as primeiras fotos que ficaram ruins. E que eu não tenho disciplina e constância pra escrever todo dia sobre a mesma coisa. Fora que nos últimos dias tudo se resumiria a Petit aprendeu a subir na minha cama pra me esperar quando eu chego em casa, e me deu três cagadas no ombro. Nem tudo seriam flores, mas mesmo assim eu ainda queria.
O que, obviamente, não me faz pensar em adotar qualquer outro tipo de filhote abandonado pela mãe novamente. Não que essa chance seja distante - foi só porque eu estive muito ausente na semana passada que uma calopsita afogou um filhote no pote de água que eu não ganhei mais uma dor-de-cabeça.
Vocês acham que só as mulheres de Jundiaí são psicopatas? As aves também têm seus problemas. Vai ver que é alguma coisa na água.