- Então vô, o Paulista perdeu essa semana né?
- É…
- Aí nem quero ver domingo.
- Domingo?
- É, domingo começa o campeonato brasileiro.
- Que domingo?
- Domingo dia 7.
- …
- Não é dia 7?
- Não é em julho?
- Julho. MÊS sete. É. Mês que vem.
Gente, meu vô tem mais de 80 anos de idade, mas quem tem dificuldade em reter datas sou eu, aos 27. Lindo isso. Tô há tanto tempo com o sete na cabeça que pra mim o jogo era DIA SETE. Mas o campeonato começa no MÊS SETE.
Tipo quando me perguntam a hora depois do meio dia. Eu SEMPRE erro. Se são 18h eu vou falar oito. “Oito. Não. Dezoito. Seis. É.”
E meu vô tem essa mania. Quando ele tá conversando com a gente e a gente tá errada, ele continua perguntando. “Que domingo?” Obviamente eu já percebi porque ele vive tendo que fazer isso comigo. Acho fofo da parte dele NÃO virar pra mim e perguntar “Domingo? Tá louca? Tá senil?”. Porque ó. Mereço.
* * *
Mas que bom que eu não corri desmarcar nada quando achei que o primeiro jogo seria no próximo domingo hein? Que bom que eu escolhi meus amigos e me ocupei em procurar receitas nesse meio tempo. Imagino que lindo teria sido trocar o aniversário de dois queridos por um jogo da QUARTA divisão. Depois chegar com cara de bunda “mas viu, lembra do que a gente tinha marcado e eu desmarquei? bora remarcar?”. É assim que a gente perde os amigos tá?
Me imagino idosa, que loucura. Tipo. Literalmente.
* * *
E a Copa 2014 hein? Eu vou. Super animada, como se em cinco anos eu não fosse capaz mudar de idéia trocentas vezes. Fora que né, eu não gosto da seleção brasileira de futebol. Mas acho que isso é um detalhe. Mas eu passei o dia pensando que se a senilidade continuar nesse ritmo eu vou chegar no Morumbi um dia antes. Ou um dia depois. Oremos.
Léo, meia-atacante do Paulista Futebol Clube e cidadão que ilustra este post, lidera a votação do Troféu Nei Paraíba do GloboEsporte.com, que vai eleger o jogador mais gato do Paulistão 2009.
Eu, que hoje ganhei o dia porque levei de brinde a camiseta vagabunda do kit centenário ao fazer uma compra na Passarela, voto no apresentador loirinho do Globo Esporte que tem um ataque de riso porque o Léo foi fazer escova. Isso porque ele nem é jundiaiense, não percebe as nuances do vídeo. Tipo o fato do cabeleireiro ser, obviamente, o Paulo Freitas.
Ok, eu sou a primeira a admitir que Paulo Freitas faz m-i-l-a-g-r-e-s. E é genético, pq o irmão dele (e concorrente da periferia, adoro essas famílias super ajustadas, parece a minha) tem a mesma mão santa. Só ele pra deixar a minha bendita franja no lugar. Enfim.
Mas beleza, eu fui em sei lá, metade dos jogos do Paulista, e nunca reparei na existência do Léo. Fico em dúvida se devo marcar um retorno com o oftalmo ou se acho isso normal, pelo fato dele ser o tipo de cara que aparece na tevê com a bunda sentada na cadeira do Paulo Freitas fazendo escova (ou seja, o meu tipo de cara NOT).
Obrigada Meu Paulista. Se não fosse pelo seu feed eu teria perdido esse momento de lazer.
PS: Obviamente no GloboEsporte.com só trabalha cueca, já que ninguém teve a pachorra de colocar fotinhas dos jogadores ao lado da enquete. Tipo, assumindo que os marmanjos que frentam o site (1) conhecem todos os jogadores de todos os times pelo nome e (2) param pra reparar nos mais bonitcheenhos. Bem coerente.
PPS: Joguei no Google pra ver quem era o tal do Nei Paraíba e encontrei isso aqui. Confere? Deos, adoro uma ironia bem aplicada, quem deu nome pra esse troféu é gênio! E o pior é que o cara me lembra muito alguém que eu conheço.
Ontem foi o último jogo do Paulista em casa no campeonato deste ano. Ainda não se sabe se no ano que vem esse time (definição dos bengalos, não minha) lazarento vai disputar a primeira divisão, então bora aproveitar enquanto há Jayme Cintra (que se o Paulista não disputar a série D do brasileiro esse ano e ficar de joguinho em centro esportivo eu esqueço da existência do futebol até janeiro de 2010 hein?).
Teoricamente nem daria tempo de sair do cinema e ir pro jogo, já que eu queria passar em casa pra tirar a roupa de cinema pra colocar a roupa de jogo (que é muito mais confortável e eu posso sujar de cal na arquibancada a vontade), mas quando o ônibus passou lá na rua de baixo do estádio deu a louca e eu fui.
Atrasadíssima, no meio do caminho ouvi os fogos e o hino, e ainda tinha toda uma ladeira pra chegar na bilheteria. Definitivamente esse ano eu perdi o melhor dos jogos porque cheguei em cima do horário em todos eles. Eu devo estar mesmo precisando muito de uma distração, porque não deve ser muito normal ficar completamente arrepiada com uma queima de fogos hein?
Sobre o jogo: no primeiro tempo o Paulista foi muito bem, mas no segundo tempo pra variar deu aquela senhora esfriada. O São Caetano marcou um gol e logo em seguida rolou um gol contra empatando o jogo. Depois de algum tempo saiu um pênalti a favor do Paulista, que eu não sei quem cobrou mas a mãe desse cidadão foi bem comentada, já que ele PERDEU o pênalti. Aliás, quantos pênaltis o Paulista MARCOU no campeonato? Não lembro de nenhum, só lembro dos QUATRO PÊNALTIS PERDIDOS.
Enfim, ele explica esse tipo de coisa melhor que eu.
Né fácil ser torcedora de time capenga não viu? Sábado é o último jogo. Em pleno ano do centenário o time tá essa bosta. Dá um desânimo…
E na saída? Pessoa vai dar uma de esperta e resolve cortar caminho. Já não basta eu ter me perdido todas as vezes que saía do exame da auto escola ali na frente do Jayme Cintra, eu precisava desbravar, de novo, um caminho alternativo. Às 21h30. O que eu tava pensando? Obviamente eu me perdi animal lá pros meios do Jardim Pacaembu, não tinha idéia de onde eu estava nem como eu fazia pra voltar pra civilização. Até que eu saí numa rua conhecida, do outro lado do bairro, e catei um ônibus pra ir pra casa.
Bom, pelo menos eu cheguei mais cedo em casa né? Mas ó, nunca mais.
Sabe-se lá o que é esperar mais de três meses pelo 22 de Março e acordar com barulho de chuva? E quando você olha pela janela e pensa“bom, é só uma garoa” imediatamente começa a cair uma chuva pesada? Aí realiza o que é sair sol às 15h30. Eu nem tinha processado o fato de que a chuva tinha ido embora quando o celular tocou, minha vó perguntando se eu ia ou não ia pro Jayme Cintra ver o tão esperado jogo do Paulista contra o São Paulo.
Não só fui como cheguei lá em 18 minutos (o que é um recorde, mas nunca senti tanta dor nas pernas como hoje, amanhã certeza que eu vou estar quebrada na hora de sair da cama pra ir pra aula, vai vendo).
E foi LINDO! Paulista empatou, mas não foi o tradicional “abre o placar e deixa o adversário empatar”. Eu não entendo o Paulista. Empata com o São Paulo, empata com o Santos, mas perde feio do Mirassol. Espero que na quarta-feira não faça feio contra o Botafogo, que é um daqueles jogos que o povo adora chamar de “jogo de seis pontos”, coisa que não faz o menor sentido pra mim. Enfim, ganhei o ingresso de quarta-feira, se não chover estarei lá. Mas se chover também, nem ligo.
Nos últimos dois ou três anos (preguiça de ir pegar os ingressos guardados pra checar desde 2006, olhei os arquivos do blog) o Paulista sempre fazia um dia de damas grátis até a meia-noite mulher não paga pra comemorar o 8 de Março. Era a única face do Dia Internacional da Mulher que eu aceitava (porque mulher não é índio pra ter um dia só pra ela hein). Tudo bem que sábado passado eu iria ao Jayme Cintra de qualquer jeito, e não é por causa de R$ 10 que eu vou ficar mais pobre, mas não entendi pra que acabar com o cavalheirismo. Qual o próximo passo, acabar com a meia-entrada pras damas?
Humpf.
Falando em dama, quando eu vi que o uniforme do Santo André era azul me bateu toda uma culpa por estar com um esmalte da mesma cor. Se eu fosse do tipo que guarda superstição teria tido um ataque.
No intervalo fizeram promoção dos ingressos contra o São Paulo no dia 22 (mesma coisa do ano passando contra o Palmeiras), mas também não estavam vendendo meia-entrada. Muita gente que comprou o kit com os ingressos e aquela camisa horrorosa (pensando bem, nunca vi ninguém usando aquilo) reclamou porque vai pagar mais caro pelo ingresso, mas sei lá, eu até entendo o marketing da coisa (casa cheia contra o Santo André bla bla). Tadinho do Galo, tá falido gente, vamos encarar o preço do ingresso como uma esmolinha de caridade.
* * *
Mas então né, perder de 3×0 foi uma pena porque o jogo começou muito bem e os 2500 presentes estavam numa animação linda. Só que o Santo André não tem o Luis Caldas Zé Carlos, que fica parado esperando a bola cair no pé dele. Próximo jogo alguém leva uma rede e uma água de coco gelada pro moço. O Marcelinho Carioca pode ter a altura da minha perna, mas pelo menos trabalha pra fazer valer o salário que ganha.
* * *
Como a melhor parte de ir ao jogo é conversar com o meu vô sobre isso no dia seguinte, esse foi o assunto da hora do almoço de domingo. Ao que, muito kikamente e totalmente fora do contexto, eu solto um “mas na hora que a gente chegou…”. A gente quem cara-pálida, se eu tava sozinha? Ok que meus pais tiraram um sarro com a minha cara do tipo “a gente você e seu celular”, porque eles sabem que se eu tivesse companhia pro jogo seria obrigatoriamente alguém que me trouxesse de carro pra casa depois da partida, mas foi difícil terminar de comer na mira do olhar acusador da minha tia. Eu hein.