Com a Adobe dominando o mercado, essa briga não tende a durar muito mais tempo, a não ser que a Corel faça um milagre e volte a tomar conta do mundinho do design.
De tudo o que eu sou bairrista nessa vida, essa é uma briga que eu não compro. Sou usuária (que palavra feia, “usuária”, parece que você é viciado em cocaína ou vítima da inclusão digital) do Corel desde a versão 3.0 e sou feliz assim. Na falta de uma tela da versão certa pra publicar, vai uma da versão 2.5 mesmo. Não mudou muita coisa realmente.
Naquela época não existia a micreiragem. As pessoas tinham computador porque alguém na família era muito nerd ou trabalhava com isso, não porque estava em oferta nas Casas Bahia. Também não existia pirataria nem torrent, o que significa que a gente fez uma vaquinha aqui em casa pra comprar o brinquedo novo.
Eu lembro que quando o Photoshop chegou na versão 5.5 começou a virar modinha. Eu até tinha o CD mas nunca me interessei muito. Era mais chegada no vetor, mas pra questões de bitmap existia o Photo-Paint, que tinha a mesma interface conhecida do Draw. O mundo era mais simples.
Sempre achei a interface do Photoshop complicada demais, Mac demais. Nunca tive *vontade* de aprender a usá-lo, até que, mesmo trabalhando como freelancer nos softwares que eu quisesse, a necessidade falou mais alto. E apesar de fã da suíte Corel (só não instalei o X3 porque é fato que as versões pares são melhores), acabei de me apaixonando pelo Photoshop quando descobri como usar o programa corretamente. Tanto que a versão X4 do Corel não me abalou.
Mesmo assim, eu realmente não entendo quem acha que o Photo-Paint não tem camadas, não tem máscara, ou seja, não tem o *básico* do Photoshop. Claro que, quando você usa a ferramenta que domina o mercado, é muito mais fácil encontrar tutoriais, plug-ins, porque as pessoas que gostam de compartilhar esse tipo de coisa estão usando a ferramenta modinha. Acontece a mesma coisa com o WordPress. Acho que esse foi meu último fanatismo, detestar WP com todas as minhas forças, mas isso virou paixão quando eu aprendi a usar a ferramenta *direito*. Quanto tempo perdido, porra.
Mas quem garante que daqui uns 5 anos a Corel não vai voltar a dominar o mercado por um milagre supremo e os fãs da Adobe vão ser obrigados a se adaptar a isso?
No fim das contas, esse fanatismo pró-Adobe pra mim é ridículo. Estou amando o Photoshop, quero aprender Illustrator e preciso aprender Flash por mais que eu não goste da idéia, mas isso não significa que eu vou me desfazer do meu velho manual de Corel 3.0 que me ensinou tanta coisa.
Além do mais, não é a ferramenta que faz o designer, e sim seu conhecimento teórico aliado à criatividade. Se você não sabe o que está fazendo pode ter a versão mais recente do software lider de mercado que vai continuar fazendo merda, isso é fato.
Fora isso, tem uma razão muito boa pra eu continuar usando o Photo-Paint: além de eu ainda não ter aprendido a usar *todos* os recursos que eu tô acostumada no Photoshop, o Photo-Paint 12 é incrivelmente mais leve que o Photoshop CS3. Às vezes tudo o que eu quero é abrir uma foto da cam e redimensionar, ou tirar a transparência de um PNG, e até o PS carregar eu literalmente já fiz o que eu tinha que fazer no Photo-Paint velho de guerra. Talvez eu resolva isso instalando uma versão mais leve do PS no HD depois da próxima formatação anual. Talvez eu nunca largue da suíte Corel por um ou outro detalhe como esse. E sinceramente, pra mim não faz diferença.
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Quanto ao Flash, minha birra com ele é antiga. É outro que eu sempre achei com a interface péssima, mas mesmo assim fui atrás de curso e talz, mas nunca achei graça de colocar isso em prática, especialmente porque não é o foco que eu escolhi pro meu trabalho. Pra mim o Flash é a ferramenta que mais mostra o quanto um bom trabalho depende da teoria do design e não do software: a quantidade de sites que aplicam o Flash de maneira errada, geralmente de maneira irritante, me preocupa. Eu sei muito bem apreciar um site com o conteúdo inteiro em animação, contanto que ele seja coerente. Mas a coerência é artigo em falta no mundo de hoje né? Deve ser alguma coisa na água…
Se eu pretendo aprender Flash é pra aumentar meu campo de trabalho de acordo com o mercado sim, mas pra trabalhar direito. Fazer um sitezinho meia-boca se mexendo eu sei fazer, mas eu sou adepta do “se vai fazer, faz bem feito”, especialmente se tem alguém me *pagando* pra isso.
Tendo uma visão completamente utópica do futuro, talvez as pessoas percebam que nem tudo precisa se mexer na tela de um site, os flashers sejam um tipo completamente diferente de designers e eu não precise me preocupar com isso. Mas isso assim, sendo *muito* otimista.
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Um post inspirado (e um pouco atrasado) na discussão sobre fanatismo de software que rolou nos comentários da minha lista de 101 coisas. O tipo de coisa que eu só aprovei de primeira vez porque estava de muito bom humor, e que no fim acabou me fazendo pensar no quanto qualquer forma de fanatismo é ridícula a partir do momento que sai de dentro da sua cabeça.