Fanboys


Fanboys: quatro amigos nerds extremamente fãs de Star Wars decidem atravessar o paÃs para entrar no Rancho Skywalker e assistir o Episódio I antes de todo mundo, já que um deles está morrendo. Pra conseguir alguma audiência masculina, botaram a Kristen Bell de biquininho imperial e fizeram parecer que ela passava o filme nesses trajes (levanta a mão se você é menino e assistiu o filme só por causa disso. é, você mesmo). É um bom filme, mas os estereótipos me irritaram um pouco (não por serem irreais e exagerados, muito pelo contrário).
Daqui pra frente é tudo post-diarinho, com spoilers ocasionais.
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Pra mim, a palavra fanboy sempre teve um sentido ruim.
Eu sou nerd. Poser, com tendências pop, mas nerd. Eu conheço nerds. Eu gosto de nerds. Mas nem todo nerd é bom.
Você pega por exemplo o @magonet. Ele constrói sabres de luz, pelo amor de deus! Quer coisa mais nerd do que isso? Mas mesmo assim eu nunca vi ele discutindo com alguém e tentando impor a opinião dele sobre como Star Wars é melhor do que Star Trek (ou qualquer outra discussão ridÃcula e sem fundamento do tipo). Na real, eu nunca vi ele sendo pedante dentro da sua nerdice.
Todo nerd reclama. A gente reclama quando o seriado não tá bom, a gente reclama quando acha que a trilha sonora poderia ser melhor, a gente reclama porque acha que a continuidade da história deveria ser diferente. Eu sou a pessoa que mais reclama sobre capas dos meus livros e DVDs preferidos tipo no mundo. Mas pelo amor de deus, é só ficção. No fim do dia a nossa vida não muda.
No filme tem os nerds limpinhos e fofos. Tudo bem, o mais bonitinho faz a linha quero me ajustar socialmente, e o outro tem uma semelhança preocupante com o Quico, mas nerds assim existem (fora que ninguém é perfeito [/cliche]).
Do mesmo jeito que existem os fanboys. Os nerds insuportáveis. Os nerds pedantes. Adoro essa palavra, pedante, imediatamente eu penso em pé no saco.
Eu fico um pouco irritada com esse estereótipo do nerd loser e inconveniente, que precisa de um banho. Porque existe gente assim, e gente assim me irrita. A pessoa que passa do ponto quando discute ficção, e no fim do dia a ficção continua lá, inalterada, mas as pessoas que foram obrigadas a ouvir aquele monólogo insuportável de quarenta minutos sobre alguma coisa irrelevante aos poucos vão embora.
Mas colé, fanboy que se preza não tem bom senso o suficiente pra conhecer a definição de limite.
Você olha o cara folgado de cabelo ensebado e um metro e meio de altura que se acha o deus do sexo e tem sérios problemas de simancol e pensa no way que existe gente assim no mundo!. Não só existem – eu poderia dar links, mas vai ficar chato – como são exatamente os que dão em cima de você (e de todas as meninas do grupo, e geralmente de qualquer coisa que passe usando uma saia, como um escocês ou um padre). Pretendência ofensiva define.
Tem também o nerd lerdo. Ele não é seboso, não é pedante, e geralmente ele é muito fofo. Mas não é capaz de atestar o óbvio. Tipo o magricelo, que é incapaz de reparar que a menina legal do grupo gosta dele. Geralmente porque tá ocupado pensando em alguma nerdice, mas quando se interessa por alguma garota vai ser exatamente pela loirinha com cara de boneca que, se der bola pra ele, vai ser só pensando no alto salário que ele ganha. Não porque o nerd lerdo não tenha nenhuma outra qualidade além do salário, muito pelo contrário: ele tem n outras qualidades que a mulher mediana não é capaz de enxergar, mas que fazem a menina nerd do grupo ficar suspirando por ele como uma tonta.
Eu sei, porque desde que eu comecei a andar com nerds geralmente a menina do grupo sou eu. Shame on me.
A menina do grupo. De novo, só meteram a Kristen Bell lá pra fazer a alegria dos punheteiros. Eu não tenho nada contra a Kristen Bell, embora ela tenha me irritado profundamente em Heroes por razões óbvias. Aliás muito pelo contrário, que o DVD de Veronica Mars é sonho de consumo supremo e até filme constrangedor eu assisti por causa dela no elenco – mentira, foi por causa do Paul Rudd, beijos.
Bom, pra começar, na vida real a menina do grupo de nerds nunca é uma boneca de linda como ela, ou ela seria qualquer outra coisa, menos a menina que passa o dia cercada de nerds (e ocasionais sebosos). Mas a menina do grupo nerd é sempre muito legal. Possivelmente uma das meninas mais legais que você já conheceu (embora possa ser neurótica, porque ela ainda é nerd, e nerds são neuróticos). Pra aguentar um bando de desajustados socialmente ela desenvolve habilidades essenciais, como senso de humor (mesmo que distorcido). Ela gosta das mesmas coisas que os nerds à sua volta, e acompanha o grupo nos programas que as garotas normais nem sabem que existem.
Mas como a vida de MAN é uma bosta (e falando em bosta, a comunidade morreu e esqueceu de deitar, ficadica), a menina legal é vista pelos amigos como mais um menino. O que na maioria das vezes é ótimo, exceto quando você tá afim daquele nerd pamonha aà de cima, que é incapaz de atestar o óbvio. Aquele que mesmo na sua presença ainda vira o pescoço pra olhar pra loirinha (que no final das contas, se não é puta leva muito jeito pra coisa). Não é por mal, porque ele é lerdo demais pra perceber que você gosta dele *e* te trata como menino. Mas antes fosse por mal hein?
Sim, eu escrevi uma tese sobre nerds a partir de um filme. E demorou horas. E eu reescrevi o trecho sobre nerds lentos várias vezes, porque eu não quero nenhuma carapuça servindo. Pra mim as coisas estão ótimas do jeito que estão: inexistentes. Sou adepta do nada é tão ruim que não possa piorar. E é bem o caso.





Eu já tive