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Je t’aime ma non plus

Puta merda.

Quarenta e cinco dias de férias do francês e o mais perto que eu cheguei de estudar foi ler um livrinho que o Frank me deu.

Eu odeio essa minha mania de deixar tudo pra depois e ficar enrolando. Já tinha até começado a fazer um layout pro blog de francês que eu quero montar, mas larguei porque ficou uma merda. Mas não é porque o layout ficou uma merda que eu deveria ter deixado o caderno pegando poeira. Francês é uma puta língua difícil e se eu não estudar vou jogar o curso no lixo.

Sim, isso foi uma auto-bronca.

Frère Jacques

Taí, na minha lista de 101 coisas pra fazer antes de morrer com certeza “aprender a cantar Frère Jacques” era um item.

Feito.

L’amour

Competitiva, eu?

Não faz muito sentido porque se 5 pessoas chegarem com Tous Les Visages de L’Amour pra professeur na sexta vai ser um empate técnico, mas o fato é que quando ela disse “ninguém acha essa música em lugar nenhum” um grilo verde fosforescente acendeu dentro de mim.

Ninguém acha em lugar nenhum porque as pessoas estão presas às redes de compartilhamento de músicas, e isso é tão 2005.

Charles Aznavour - Tous Les Visages De L'Amour
Charles Aznavour -…
Hosted by eSnips

eSnips, mon amour.

Puta música linda do caraleo. A versão em francês de She, que já é uma puta música linda do caraleo.

E por falar em eSnips, eu disponibilizei tipo uns 4Gb de trilhas sonoras em um as 10 contas diferentes que eu nem sei onde anotei tto login, e agora vou apagar tudo. Claro que eu tenho backup disso em GMail *e* CD (mais de um? DVD? talvez), mas deu um baita trabalho formar toda uma vibe music from e agora eu vou tirar do ar.

Então sei lá, mas se de repente você tá procurando a trilha sonora de Veronica Mars, The 4400, Smallville, Friends ou raridades da Rita Lee dá uma busca no eSnips, tá? Mas se vc não achar nada é porque chegou atrasado, então não reclame comigo.

Eu queria poder apagar logins no eSnips. Acho um desperdício de vida tão grande uma conta lá e uma no flogão pra cada seriado que eu assisto, mas eu fiz isso no auge da vibe music from pra nenhum engraçadinho usar o mesmo nome de site. Porque uma mula verde água resolveu que “Music from The O.C.” era super legal.

Anyway, faxina é uma coisa que eu gosto de fazer. Competição pelo amor da professeur então nem se fala.

Nerd.

I would like to buy a hamburguer

Piadinha bilíngue pra compensar o dia.

Mais velha que minha vó

Essa vida totalmente caseira tá acabando com a minha juventude.
 
Porque francês é uma coisa linda, fashion, mas antiga. Minha classe é basicamente composta por meia dúzia de adolescentes posers contra umas trinta professoras aposentadas. Mas eu gosto. Só não gosto muito quando as aposentadas mezzo analfabetas tentam se encostar pra pegar uma aula particular. Acho que eu sou uma pessoa egoísta.
 
Fora o francês tem o tricô. Segundo meu vô, a vó dele tinha um tear igual o meu. Pelas minhas contas ela nasceu mais ou menos 100 anos antes de mim. Considerando minha caretice e meu interesse por coisas idosas eu até acharia que sou meio uma reencarnação da figura, exceto pelo fato de eu não acreditar em reencarnação. Não perguntei, mas há 50% chance de ser a trisavó francesa que fazia isso, embora todo mundo diga que as italianas é que eram chegadas na coisa. É por isso inclusive que quando eu enrolo a Lilly num cachecol eu chamo ela de italianinha camponesa.
 
Agora que eu vou ficar rica tecendo cachecóis, talvez eu tenha dinheiro pra comprar pilha pra cam e saia tirando foto de coisas hiper relevantes pra continuidade do mundo, como a Lilly de camponesa italiana ou o cachecol que eu consegui fazer antes de ir pra aula de tear.
 
Mas enfim, amanhã é minha primeira aula de tricô e eu tenho como obrigação moral aprender a fazer um cachecol sem gambiarras, sem jeitinho brasileiro. Especialmente porque minha vizinha quer aprender como termina um cachecol mas fugiu da aula, e já que ela acha que me ensinou a começar um trabalho - eu não ia dizer pra ela que o cachecol a venda no nariz dela era meu - ela acha que vai aprender comigo a terminar.
 
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E além de tricoteira eu também fico testando receita caseira de leite condensado light, pra reduzir custos e calorias. Minha mãe adoraria que eu usasse meus talentos culinários pra fazer almoço ao invés de ficar inventando doce. Mas a vida é cruel assim mesmo.
 
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E o próximo que reclamar que a vida é difícil perto de mim vai ouvir "tá achando a vida dura? experimenta aprender francês e tricô pra vc ver o que é dificuldade".
 
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Se as pessoas não corressem da escola, num sentido amplo da coisa, talvez o mundo fosse um lugar mais simpático.
 
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Sinceramente eu não entendo porque o Brasil só tem orgulho de verde-amarelo em ano de copa. Eu acho uma combinação de cores bonita (embora a psicologia das cores não recomende bla bla), mas infelizmente é cafona na maior parte do tempo. Cafona é essa gente poser que só tem orgulho do próprio país a cada quatro anos.
 
Mas eu tô toda decepcionada com o mundo de um jeito maior. Meio pela festa da uva que virou o orkut, uma feira de preguiçosos querendo tudo mastigado x oportunistas vendendo material ilegal. E não é só no orkut, é uma onda de pessoas valorizando coisas fúteis e deixando de lado coisas importantes, como aprender a se expressar corretamente.
 
Eu não entendo, por exemplo, porque aquele animalzinho do inglês me olha como se fosse muito superior. Desde quando ser baladeiro pegador é motivo pra eu achar alguém melhor que eu? E, principalmente, quando foi que decretaram que matar aula na faculdade pra beber e pagar um curso de inglês pra não prestar atenção em nada é motivo de orgulho? É muito bizarro, especialmente porque nos últimos meses o dinheiro nem sai do meu bolso, mas eu sou a que mais valoriza o curso e o material. Eu fico besta quando eles me olham com cara de nojo porque eu faço o grammar book, sendo que o material foi caro demais pra se esquecer no fundo de um armário.
 
De repente fazer o que é certo virou motivo de vergonha.
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