O propósito de passar uma hora e meia em cima da sua própria bunda assistindo uma história é usar esse tempo pra *viver* essa história.
Quando a história tem cara de vida real, com problemas e ceninhas de pessoas comuns, não faz mais sentido sair pra viver a sua própria história de problemas e ceninhas, ao invés de aguentar a paranóia alheia?
Não achei muita graça em 2 Dias em Paris (2 Days in Paris, 2007) justamente por isso. Uma história absolutamente normal que poderia estar acontecendo com qualquer um neste exato momento. Odeio filme com cara de vida real, mesmo que ele se passe em Paris e seja bilíngue.
Cá estou eu, com a minha mania de não deixar um filme chato pela metade. E Quando Estou Amando (Quand J’Étais Chanteur, 2006) é um desses filmes extremamente malas, mas que a gente pensa “ah tá, Gérard Depardieu pagando de cantor decadente, colé, ainda tem meia hora, dá tempo de salvar a pátria”.
Bom, ainda falta meia hora, mas eu duvido que a coisa melhore…
update: é, não melhorou mesmo, mas uma coisa que eu reparei é que a trilha sonora é a alma do filme, e não foi legendada nessa versão que eu peguei. Meu francês não tá com essa bola toda pra eu tirar letra de música de ouvido, então eu basicamente boiei a respeito disso. Mesmo assim, duvido que a legenda na trilha sonora fosse capaz de salvar o filme…
update 2: esperei tanto chegar o sábado pra me afundar na cama assistindo filme, mas a coisa tá bem feia… a versão de Bússola de Ouro que eu baixei tá com a qualidade de imagem e som péssimas (gravado do cinema por um portador do mal de parkinson), e o uploader maldito não entendeu bem o conceito de “legendado”. Neeeext!
Antes do filme, uma divagação: alguém mais na casa escuta os filmes que eu assisto ou as músicas que eu ouço? Não. Eu atrapalho o sono de alguém com meus filmes? Não. Então por que raios eu tenho que aguentar volume alto de televisão e música gospel alta a tarde inteira? Por que eu posso acordar de madrugada porque a princesa surda resolve aumentar o volume dos malditos filmes de explosão, mas a princesa surda não pode ser incomodada? Ah sifude. O bloqueador de volume da televisão vai continuar ativo sim e acabou. Não gostou, se muda.
Aliás, há tempos eu tenho postado mentalmente minha opinião sobre a música gospel brasileira… coisa pra levantar uma legião de jilós religiosos se exaltando nos comentários…
Aí que se não fosse esse tipo de questão familiar, eu teria aproveitado A Noiva Perfeita (Pretê-Moi Ta Main, 2006) até o final.
Comédia romântica francesa é possível. Aliás, nos últimos anos a França tem produzido filmes totalmente blockbusters, que não têm nada daquela coisa chata que a gente imagina quanto gosta de um bom filme comercial. Um solteirão que é pressionado pela mãe e pelas irmãs para se casar aluga a irmã do melhor amigo pra uma farsa etc. Não tem tanto de The Wedding Date quanto parece. Também não é tão incrivelmente fofo quanto, mas é bem legal.
Ah, a mocinha do filme, Charlotte Gainsbourg, é filha daquele casal que canta aqueeela música francesa que só tem gemido, sabe qual? Particularmente eu acho essa música de um mau gosto pavoroso, mas enfim…
Eu não fazia idéia, mas a vida de Edith Piaf foi completamente despirocada. Sim, com o glamour que existe sobre qualquer personagem francês, só que completamente porraloca.
O trailer do site oficial passa a impressão de um filme muito mais sublime, este sim que combinaria com o ridículo título que escolheram aqui no Brasil, Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007).
O único problema do filme é ser longo demais: 2h14 não dá, hein?