Essa vida totalmente caseira tá acabando com a minha juventude.
Porque francês é uma coisa linda, fashion, mas antiga. Minha classe é basicamente composta por meia dúzia de adolescentes posers contra umas trinta professoras aposentadas. Mas eu gosto. Só não gosto muito quando as aposentadas mezzo analfabetas tentam se encostar pra pegar uma aula particular. Acho que eu sou uma pessoa egoísta.
Fora o francês tem o tricô. Segundo meu vô, a vó dele tinha um tear igual o meu. Pelas minhas contas ela nasceu mais ou menos 100 anos antes de mim. Considerando minha caretice e meu interesse por coisas idosas eu até acharia que sou meio uma reencarnação da figura, exceto pelo fato de eu não acreditar em reencarnação. Não perguntei, mas há 50% chance de ser a trisavó francesa que fazia isso, embora todo mundo diga que as italianas é que eram chegadas na coisa. É por isso inclusive que quando eu enrolo a Lilly num cachecol eu chamo ela de italianinha camponesa.
Agora que eu vou ficar rica tecendo cachecóis, talvez eu tenha dinheiro pra comprar pilha pra cam e saia tirando foto de coisas hiper relevantes pra continuidade do mundo, como a Lilly de camponesa italiana ou o cachecol que eu consegui fazer antes de ir pra aula de tear.
Mas enfim, amanhã é minha primeira aula de tricô e eu tenho como obrigação moral aprender a fazer um cachecol sem gambiarras, sem jeitinho brasileiro. Especialmente porque minha vizinha quer aprender como termina um cachecol mas fugiu da aula, e já que ela acha que me ensinou a começar um trabalho – eu não ia dizer pra ela que o cachecol a venda no nariz dela era meu – ela acha que vai aprender comigo a terminar.
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E além de tricoteira eu também fico testando receita caseira de leite condensado light, pra reduzir custos e calorias. Minha mãe adoraria que eu usasse meus talentos culinários pra fazer almoço ao invés de ficar inventando doce. Mas a vida é cruel assim mesmo.
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E o próximo que reclamar que a vida é difícil perto de mim vai ouvir "tá achando a vida dura? experimenta aprender francês e tricô pra vc ver o que é dificuldade".
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Se as pessoas não corressem da escola, num sentido amplo da coisa, talvez o mundo fosse um lugar mais simpático.
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Sinceramente eu não entendo porque o Brasil só tem orgulho de verde-amarelo em ano de copa. Eu acho uma combinação de cores bonita (embora a psicologia das cores não recomende bla bla), mas infelizmente é cafona na maior parte do tempo. Cafona é essa gente poser que só tem orgulho do próprio país a cada quatro anos.
Mas eu tô toda decepcionada com o mundo de um jeito maior. Meio pela festa da uva que virou o orkut, uma feira de preguiçosos querendo tudo mastigado x oportunistas vendendo material ilegal. E não é só no orkut, é uma onda de pessoas valorizando coisas fúteis e deixando de lado coisas importantes, como aprender a se expressar corretamente.
Eu não entendo, por exemplo, porque aquele animalzinho do inglês me olha como se fosse muito superior. Desde quando ser baladeiro pegador é motivo pra eu achar alguém melhor que eu? E, principalmente, quando foi que decretaram que matar aula na faculdade pra beber e pagar um curso de inglês pra não prestar atenção em nada é motivo de orgulho? É muito bizarro, especialmente porque nos últimos meses o dinheiro nem sai do meu bolso, mas eu sou a que mais valoriza o curso e o material. Eu fico besta quando eles me olham com cara de nojo porque eu faço o grammar book, sendo que o material foi caro demais pra se esquecer no fundo de um armário.
De repente fazer o que é certo virou motivo de vergonha.
Na próxima vez que a professora de francês classificar um filme como "bonitinho" (Bem-Me-Quer… Mal-Me-Quer – A la folie… pas du tout, 2002, França), reclassificá-lo para "totalmente sem noção".
Ontem eu vi
Orgulho e Preconceito. Odeio admitir, mas acho que estou trocando o cinema pelo torrent. Não que seja uma decisão fácil, tipo… o que eu faço com esse Giga de filme agora? Porque eu não gostei tanto do filme a ponto de enfiá-lo num DVD. E, se tivesse gostado, provavelmente teria copiado direto de um DVD e não de um download. Mas, se eu tivesse dinheiro pra comprar as mídias de DVD suficientes, talvez estivesse no cinema comendo Mc França.
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Eu ainda amo o Francês, a ponto de baixar
Veronica Mars 1×01 dublado só pra ver como era e ficar reparando se o povo se trata com
tutoyer. Meio óbvio. Em compensação, não vou ao desenho há quase 10 dias. Não deu mais vontade, sei lá. Não queira entender, eu sou uma pessoa esquisita, enjoei do desenho, etc. O que é um problema, já que eu nem ao menos posso me empurrar pra aula só pq eu tô pagando, simplesmente pq uma conta a menos nesse momento seria extremamente bem vinda. Mas eu não posso largar o desenho! Por alguma razão que nem eu mesma sei explicar, não posso.
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Ou talvez o que eu não possa mesmo é consumir cafeína.
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Mas o mundo tá todo cagado, veja você. Pq não pode passar pela minha cabeça desistir do desenho se até o Marcos Pontes, gêmeo perdido no nascimento do meu professor,
tá desistindo da coisa por dinheiro. Veja bem, eu atá defendi o gasto dessa pataquada toda, pra estimular a ciência entre as crianças das escolas públicas blá blá. Mas eu esqueci que brasileiro tem memória curta e que a essa altura muita gente nem lembra mais do astronauta. Especialmente pq a copa do mundo tá chegando e pra ser herói nesse país vc precisa ser… affe, deixa pra lá.
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Não que eu ache que ele esteja errado em desistir de ser astronauta pra poder cobrar pelas suas palestras, já que eu sou brasileira e desisto facinho. Porque não é fácil quando você tem um baita trabalho pra fazer uma coisa legal e recebe um monte de críticas. Não é fácil qdo vc tenta tirar uma compensação mínima pelo trabalho que vc teve e as pessoas te encaram como uma spammer oportunista. E tipo danem-se as pessoas, pq eu descobri que eu tenho mais prazer em apagar um e-mail que me pede um favor do que em receber um elogio. Não exatamente por esse lado, mas digamos que agora eu sei como o povo que faz legendas se sente ao implorar comentários. Mas, o que são os comentários? Uma coisa que se não existir te deprime, mas se existir não muda a sua vida?
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Por isso melhor não estranhar se, de repente, meu perfil bogus sumir, e junto com ele tudo o que eu já fiz no/pelo orkut. Porque eu tenho backup do que interessa. Acho que eu não tenho mais o saco adolescente pra manter um site de seriado no ar. Até teria se esse site desse algum dinheiro, mas sendo baseado em download indireto de MP3 obviamente isso não vai funcionar.
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Especialmente pq tá bem difícil aguentar o jogo do momento: teorizar sobre fulano ser ou não emo. Tipo, emo é a lepra do nosso século? Pq as pessoas falam de "ser emo" como se fosse uma doença: ou pra avacalhar – e até *nerd* avacalha com emo, gosh! - ou pra defender, tipo aquelas associações que lutam contra a discriminação, sabe? Olha, emo é até contagioso, mas não exclua um emo do convívio social só porque ele não lava o cabelo.
Eu não sou contra. Nem a favor. Eu só passei tto tempo correndo atrás do rótulo de nerd que eu cansei dessas etiquetas que organizam prateleiras. Colé, pessoas, estamos na era da web 2.0 e aceitamos múltiplas tags, tá bom?
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Eu assisto oficialmente
The O.C. O que, traduzindo, signfica que eu vi os 4 primeiros episódios e assim que meu HD permitir pretendo ver as 3 temporadas inteiras. Não vai ser fácil com 12Gb de
Liga da Justiça *ainda* aqui. Mas, lado bom, todo dia eu tenho assistido um pouco das coisas que entulham o HD. Aí vou começar a ver as coisas inéditas que a minha prateleira tem a oferecer. E aí talvez a profecia se cumpra e o mundo acabe, whatever.
Quatro episódios são suficientes pra odiar
Seth Cohen por ele ser tão nerd, tão gatcheenho e tão babão pela puta grátis da Summer.
Sandy: Since the minute you were born I knew I would never take another easy breath without knowing that you were all right.
Seth: So I’m like asthma?
É, definitivamente eu não posso manter um site sobre um seriado. Até pq eu gostaria de fazer alguma coisa bem feita tipo
citações no guia de episódios, e isso só vai ser possível no dia em que eu ganhar na Mega Sena, não precisar mais trabalhar e procurar uma ocupação para preencher 10 das 48 horas do meu dia.
Por enquanto é suficiente anotar que eu oficialmente odeio a Summer.
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Apesar da minha caixa postal sofrer de crise de abstinência por falta de conteúdo interessante, eu ainda perco tempo brigando com gente que, por algum motivo obscuro, me incluiu na lista de 600 "amigos" que recebem diariamente quatro ou mais mensagens "super importante, leia isso, é verdade". Porque a adolescente excluída de 14 anos resolveu reaparecer e jogar um pouco de gasolina na fogueira do "você acha mesmo que as pessoas que recebem seus e-mails chatos são seus amigos? ou será que eles são educados demais pra te pedir pra parar com essa coisa insuportável?". Porque pulga atrás da orelha dos outros é refresco.
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Tá decidido: quando eu crescer vou vender caipirinha na Guiana, pra falar francês e receber em euro.
Francês é uma coisa linda. Como pessoa lerda que sou, a ficha de que eu tô finalmente estudando francês só começou a cair hoje =P
Mas as piadinhas vieram antes. Porque eu me sentiria envergonhada se meu sobrenome fosse um erro de tradução. Mas pra quem mal sabe uma língua, se preocupar com outra pra que né?
Kika, venenosa trilíngue.
Mas é difícil. Inglês é banana amassada com aveia e mel perto do francês, de verdade. Mas nada que dê vontade de desistir e talz.
Hoje que eu reparei, uma das minhas colegas de classe é uma ex professora minha que já era extremamente velha qdo eu tava, sei lá, na terceira série? A véia já deu aula pra minha tia! Mas tá lá, firme, forte e questionadora. Exatamente de como eu me lembro dela, não envelheceu nenhum dia em mais de uma década.
Sinceramente, esse povo com oitenta e dezenove me dá agonia. Tem gente que parece que não vai morrer nunca. Mas é agonia no bom sentido, acho.
Ouvindo: Quelqu’un m’a dit – Carla Bruni
(porque se escrever o título já é difícil, repetir o refrão três vezes seguidas sem engasgar é minha meta de vida)