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Das horas que eu me sinto de outro planeta

Neste exato momento, eu estou mandando um e-mail pra Editora Objetiva, perguntando onde eu posso encontrar o Bússola de Ouro com a capa original. Bem difícil, porque toda mensagem que me passa pela cabeça acaba chamando a capa atual de aberração. Eu nem sei porque me dou ao trabalho, já que provavelmente não vão responder, vão me mandar comprar um sebo, ou vão me cobrar 50 reais num livro que custa 23, só pela capa.

Mas na real, eu tô lendo Bússola de Ouro no celular, e tô completamente apaixonada pela história. A descrição de como a Lyra sofre quando o Pan se afasta dela me faz chorar feito louca. A versão que eu tô lendo é mal escrita e mal traduzida, mas eu tenho certeza que é diferente da versão em papel.

Por mim, eu já teria comprado o livro físico e terminaria de ler nele mesmo. Mas não fiz isso ainda por causa da capa. A maldita capa. A capa que leva o cartaz do filme e define o livro como “Agora uma superprodução com Nicole Kidman e Daniel Craig”.

Meu cu. O que fizeram na capa foi um estupro, um golpe de marketing pra vender o livro a partir da identificação com o cartaz do filme, mas ninguém se tocou que a história tem uma sequência, e que agora o primeiro livro da trilogia está completamente diferente dos outros. Eu meio que me recuso a ter essa aberração na prateleira, mesmo estando apaixonada pela história.

* * *

E não, eu não vou procurar o livro em sebos. Porque eu tenho nojo de livro de sebo, prontofalei. Emprestar um livro da biblioteca pública da cidade foi a experiência mais nojenta da minha vida.

A minha relação com os meus livros é muito íntima. Higiênica. Podem me criticar, podem me chamar de maluca, podem defender o compartilhamento dos livros como forma de ler mais, bla bla bla, eu não me importo. Pra mim, livro é uma coisa que não se empresta, nem de, e nem para.

O primeiro livro que eu ganhei na vida e li por puro lazer foi Bridget Jones: No Limite da Razão. Na época eu não era nojenta, então o livro rodou, e rodou, assim como eu comecei a ler Harry Potter de outras pessoas também. Tudo muito legal, tudo muito compartilhado. Tomei gosto pela coisa, comprei mais livros e fui me tornando um poço de egoismo.

Quando eu olho pro meu exemplar do Limite da Razão, bate um puta desgosto. Ele está sujo, nojento. Eu, que adoro ler em cima do travesseiro antes de dormir, tive o impulso de lavar as mãos depois de mexer com o livro ontem. Isso vem da pessoa que não quer que ninguém entre com sapato de rua em casa (muito menos no seu quarto).

É claro que eu tenho milhares de outros livros pra ler, milhares de outras coisas pra comprar e contas pra pagar, mas eu vou sim comprar novos exemplares de Bridget Jones pra minha prateleira (meu Diário de Bridget Jones também rodou e também tá nojentinho).

Talvez eu passe os meus pra alguém, ou doe pra biblioteca municipal. Mas eu tenho certeza que eles não se sentem bem vindos na minha prateleira, e com toda razão.

Design brasileiro

Sabe que eu passo muito tempo dentro do IconBuffet visitando sites alheios né? Tem muito web developer/designer lá dentro.

Reparei duas coisas:

1. Gringos são péssimos com design. Tem muita gente que trabalha com isso e tem uns sites que dão dor na alma. Eu acabei de cair no site de um guri alemão, e nem precisa falar o idioma dele pra sacar que o site é uma merda e que as coisas que ele escreve são uma merda (porque HTML é HTML em qualquer lugar e o garoto fica falando de background="FF0000" como se fosse a coisa mais normal do mundo). Um nível bem sub-micreiro mesmo.

2. Brasileiros são ótimos com design, mas levam a história da casa de ferreiro um pouco a sério demais. Já vi muita gente com dois portfolios, como eu, ou um portfolio e um site pessoal, e o portfolio nunca é o mais bem cuidado. E pode me colocar nessa. Pelo menos eu não tô com o portfolio em construção ou coisa do tipo. Quer dizer, eu nem condeno, se você tem outro emprego, outra renda, sem problemas deixar o portfolio pra lá e cuidar do site pessoal nas horas vagas, pq vamos combinar também que é sempre mais divertido.

Não sei se dá pra reparar, mas ter uma idéia pra reformar meu portfolio tá virando tipo idéia fixa. E qto mais eu me esforço pra ter uma idéia boa, mais sem idéias eu fico.

Forma e Conteúdo

Quando eu crescer, quero ser designer. Sim, porque quanto mais eu estudo, mais eu me sinto uma micreira. Eu ainda tenho tanta coisa pra aprender, tanta referência pra acumular, que quando alguém me pergunta “que livros eu preciso ler pra ser um web designer” eu meio que me vingo falando difícil, só de raiva desse mundo cruel.

Por isso esses dias até os filmes que eu vejo são pra estudar (ok, não todos), mas não é nada sobre Photoshop ou CSS. É teoria pura do design. Uma coisa linda. Uma coisa poética. Uma coisa que faz a gente pensar, que deixa o cérebro trabalhando, que faz a gente criar paralelos com coisas nada a ver mas que são exatamente a mesma coisa.

Tipo música. A letra da música é o conteúdo. A forma como ela é tocada, é o design.

A não ser que você tenha vivido em retiro espiritual desde que nasceu e só tá voltando hoje, você já ouviu Como é grande o meu amor por você, do Roberto Carlos. Não interessa se você gosta dele ou não, você vai concordar comigo que é uma letra intensa. Pode ser cafona pra você? Ok, mas não é uma letra mediana.

Aí tem o tema de abertura de Amor e Intrigas, a novela da Record. Aliás, a abertura da novela daria um TCC sobre design, já que não combina absolutamente em nada com a história (eu meio que moro numa casa onde pessoas assistem novelas da Record), que é exatamente a mesma música do Roberto Carlos, mas cantada por um tal de Davi Moraes. Davi who? você me pergunta. Tbem não sabia, joguei no Google, e ele é ex da Ivete Sangalo, filho do Moraes Moreira, e aparentemente a coisa mais importante que ele já fez na vida foi dar uma entrevista pro Pânico.

A versão que o cidadão fez pra música do Roberto é mais ou menos como aquele site de empresa que fica na mão do sobrinho do dono. Uma merda. Não importa se a letra da música é fantástica, a forma como ela foi executada na versão do periguete é medíocre, a experiência de ouvir a música se tornou incômoda. Isso, crianças, é exatamente como o design ruim.

Você pode também fazer uma comparação com a letra de Mutantes, da Rita Lee. Não, essa música não é da Daniela Mercury. Certeza. Absoluta. A música cantada pela Rita no álbum Bossa’n Roll é linda, a versão cantada pela Daniela serviu pra tocar no rádio pro povão. O mesmo conteúdo, com design diferente pra públicos diferentes. E pra colocar uma pá de cal na dignidade, veio a Preta Gil regravar a música e fazer uma completa bosta. Neste caso, Preta Gil é o moleque que fez um cursinho na Microcamp e acha que é designer, mas não é nada na vida.

E da mesma maneira, existem letras da Rita Lee que funcionaram muito bem nos anos 80, mas que quando foram regravadas nos álbums mais recentes ficaram simplesmente lindas, como Saúde, Coisas da Vida (que no Acústico MTV é simplesmente *divina*) e algumas outras.

E, assim como gosto para o design, gosto musical não se discute. Assim como tem gente que prefere a Preta Gil à Rita Lee, tem gente que acha que usar Comics Sans (até o nome é babaca) é uma coisa absolutamente normal. Mas eu duvido que, se a Preta Gil enfiar na cabeça que do jeito que ela está hoje está bom demais, um dia ela vá virar uma cantora de verdade.

Eu tenho a consciência de que eu posso não ter aprendido ainda tudo o que eu preciso ou deveria saber, mas mesmo me sentindo uma micreira às vezes eu sei que eu tô bem acima da média. Tirando o shape, eu não sou uma Preta Gil da vida.

A velha guerrinha Adobe x Corel

Com a Adobe dominando o mercado, essa briga não tende a durar muito mais tempo, a não ser que a Corel faça um milagre e volte a tomar conta do mundinho do design.

De tudo o que eu sou bairrista nessa vida, essa é uma briga que eu não compro. Sou usuária (que palavra feia, “usuária”, parece que você é viciado em cocaína ou vítima da inclusão digital) do Corel desde a versão 3.0 e sou feliz assim. Na falta de uma tela da versão certa pra publicar, vai uma da versão 2.5 mesmo. Não mudou muita coisa realmente.

Naquela época não existia a micreiragem. As pessoas tinham computador porque alguém na família era muito nerd ou trabalhava com isso, não porque estava em oferta nas Casas Bahia. Também não existia pirataria nem torrent, o que significa que a gente fez uma vaquinha aqui em casa pra comprar o brinquedo novo.

Eu lembro que quando o Photoshop chegou na versão 5.5 começou a virar modinha. Eu até tinha o CD mas nunca me interessei muito. Era mais chegada no vetor, mas pra questões de bitmap existia o Photo-Paint, que tinha a mesma interface conhecida do Draw. O mundo era mais simples.

Sempre achei a interface do Photoshop complicada demais, Mac demais. Nunca tive *vontade* de aprender a usá-lo, até que, mesmo trabalhando como freelancer nos softwares que eu quisesse, a necessidade falou mais alto. E apesar de fã da suíte Corel (só não instalei o X3 porque é fato que as versões pares são melhores), acabei de me apaixonando pelo Photoshop quando descobri como usar o programa corretamente. Tanto que a versão X4 do Corel não me abalou.

Mesmo assim, eu realmente não entendo quem acha que o Photo-Paint não tem camadas, não tem máscara, ou seja, não tem o *básico* do Photoshop. Claro que, quando você usa a ferramenta que domina o mercado, é muito mais fácil encontrar tutoriais, plug-ins, porque as pessoas que gostam de compartilhar esse tipo de coisa estão usando a ferramenta modinha. Acontece a mesma coisa com o WordPress. Acho que esse foi meu último fanatismo, detestar WP com todas as minhas forças, mas isso virou paixão quando eu aprendi a usar a ferramenta *direito*. Quanto tempo perdido, porra.

Mas quem garante que daqui uns 5 anos a Corel não vai voltar a dominar o mercado por um milagre supremo e os fãs da Adobe vão ser obrigados a se adaptar a isso?

No fim das contas, esse fanatismo pró-Adobe pra mim é ridículo. Estou amando o Photoshop, quero aprender Illustrator e preciso aprender Flash por mais que eu não goste da idéia, mas isso não significa que eu vou me desfazer do meu velho manual de Corel 3.0 que me ensinou tanta coisa.

Além do mais, não é a ferramenta que faz o designer, e sim seu conhecimento teórico aliado à criatividade. Se você não sabe o que está fazendo pode ter a versão mais recente do software lider de mercado que vai continuar fazendo merda, isso é fato.

Fora isso, tem uma razão muito boa pra eu continuar usando o Photo-Paint: além de eu ainda não ter aprendido a usar *todos* os recursos que eu tô acostumada no Photoshop, o Photo-Paint 12 é incrivelmente mais leve que o Photoshop CS3. Às vezes tudo o que eu quero é abrir uma foto da cam e redimensionar, ou tirar a transparência de um PNG, e até o PS carregar eu literalmente já fiz o que eu tinha que fazer no Photo-Paint velho de guerra. Talvez eu resolva isso instalando uma versão mais leve do PS no HD depois da próxima formatação anual. Talvez eu nunca largue da suíte Corel por um ou outro detalhe como esse. E sinceramente, pra mim não faz diferença.

* * *

Quanto ao Flash, minha birra com ele é antiga. É outro que eu sempre achei com a interface péssima, mas mesmo assim fui atrás de curso e talz, mas nunca achei graça de colocar isso em prática, especialmente porque não é o foco que eu escolhi pro meu trabalho. Pra mim o Flash é a ferramenta que mais mostra o quanto um bom trabalho depende da teoria do design e não do software: a quantidade de sites que aplicam o Flash de maneira errada, geralmente de maneira irritante, me preocupa. Eu sei muito bem apreciar um site com o conteúdo inteiro em animação, contanto que ele seja coerente. Mas a coerência é artigo em falta no mundo de hoje né? Deve ser alguma coisa na água…

Se eu pretendo aprender Flash é pra aumentar meu campo de trabalho de acordo com o mercado sim, mas pra trabalhar direito. Fazer um sitezinho meia-boca se mexendo eu sei fazer, mas eu sou adepta do “se vai fazer, faz bem feito”, especialmente se tem alguém me *pagando* pra isso.

Tendo uma visão completamente utópica do futuro, talvez as pessoas percebam que nem tudo precisa se mexer na tela de um site, os flashers sejam um tipo completamente diferente de designers e eu não precise me preocupar com isso. Mas isso assim, sendo *muito* otimista.

* * *

Um post inspirado (e um pouco atrasado) na discussão sobre fanatismo de software que rolou nos comentários da minha lista de 101 coisas. O tipo de coisa que eu só aprovei de primeira vez porque estava de muito bom humor, e que no fim acabou me fazendo pensar no quanto qualquer forma de fanatismo é ridícula a partir do momento que sai de dentro da sua cabeça.

Everything’s changin’

Dizem por aí que o Corel X4 já foi lançado. Realmente, acabei de encontrá-la pra download.

Saudades da época em que a gente podia ganhar um Corel original de presente de Natal, só pelo manual que vinha com ele…

Pela primeira vez na vida sai uma versão nova do Corel e eu não saio correndo loucamente pra baixar e instalar. Um pouco porque existe a lenda de que as versões pares do Corel são ruins - e eu já ouvi que o X4 é praticamente um X3.1 com muita cagada pra ser arrumada.

E em parte porque eu descobri o Photoshop e não estou louca de curiosidade pra ver como o Corel Photo-Paint X4 está.

Corel Draw X4? Estou numa fase tomando-vergonha-na-cara, no dia em que eu conseguir fazer um layout inteirinho no Photoshop vou avançar no próximo degrau da evolução espiritual e me jogar no Illustrator e no InDesign. De cabeça.

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Agora vamos falar bem sério. Computadores temperamentais são uma constante na minha vida.

É fato que, toda vez que eu abro a boca pra dizer que resolvi trocar o computador, ele começa a dar problemas feios, muito feios. Depois, quando vira o computador-do-meu-pai, pára de palhaçada e volta a funcionar.

Desde que eu comecei a usar o Photoshop, meu Photo-Paint está tendo uma crise de ciúmes. Duvida? A ferramenta pincel simplesmente parou de funcionar. Não é falta de memória, não é ferramenta desconfigurada, então só pode ser chilique! Tá se sentindo abandonado e rejeitado (afinal, tudo o que eu tenho feito de colorização no Photoshop eu poderia muito bem fazer nele - as pessoas é que acham que o Photo-Paint não tem camadas, canais e nada disso).

Software fazendo birra porque se sente corno é o cúmulo…

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