Neste exato momento, eu estou mandando um e-mail pra Editora Objetiva, perguntando onde eu posso encontrar o Bússola de Ouro com a capa original. Bem difícil, porque toda mensagem que me passa pela cabeça acaba chamando a capa atual de aberração. Eu nem sei porque me dou ao trabalho, já que provavelmente não vão responder, vão me mandar comprar um sebo, ou vão me cobrar 50 reais num livro que custa 23, só pela capa.
Mas na real, eu tô lendo Bússola de Ouro no celular, e tô completamente apaixonada pela história. A descrição de como a Lyra sofre quando o Pan se afasta dela me faz chorar feito louca. A versão que eu tô lendo é mal escrita e mal traduzida, mas eu tenho certeza que é diferente da versão em papel.
Por mim, eu já teria comprado o livro físico e terminaria de ler nele mesmo. Mas não fiz isso ainda por causa da capa. A maldita capa. A capa que leva o cartaz do filme e define o livro como “Agora uma superprodução com Nicole Kidman e Daniel Craig”.
Meu cu. O que fizeram na capa foi um estupro, um golpe de marketing pra vender o livro a partir da identificação com o cartaz do filme, mas ninguém se tocou que a história tem uma sequência, e que agora o primeiro livro da trilogia está completamente diferente dos outros. Eu meio que me recuso a ter essa aberração na prateleira, mesmo estando apaixonada pela história.
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E não, eu não vou procurar o livro em sebos. Porque eu tenho nojo de livro de sebo, prontofalei. Emprestar um livro da biblioteca pública da cidade foi a experiência mais nojenta da minha vida.
A minha relação com os meus livros é muito íntima. Higiênica. Podem me criticar, podem me chamar de maluca, podem defender o compartilhamento dos livros como forma de ler mais, bla bla bla, eu não me importo. Pra mim, livro é uma coisa que não se empresta, nem de, e nem para.
O primeiro livro que eu ganhei na vida e li por puro lazer foi Bridget Jones: No Limite da Razão. Na época eu não era nojenta, então o livro rodou, e rodou, assim como eu comecei a ler Harry Potter de outras pessoas também. Tudo muito legal, tudo muito compartilhado. Tomei gosto pela coisa, comprei mais livros e fui me tornando um poço de egoismo.
Quando eu olho pro meu exemplar do Limite da Razão, bate um puta desgosto. Ele está sujo, nojento. Eu, que adoro ler em cima do travesseiro antes de dormir, tive o impulso de lavar as mãos depois de mexer com o livro ontem. Isso vem da pessoa que não quer que ninguém entre com sapato de rua em casa (muito menos no seu quarto).
É claro que eu tenho milhares de outros livros pra ler, milhares de outras coisas pra comprar e contas pra pagar, mas eu vou sim comprar novos exemplares de Bridget Jones pra minha prateleira (meu Diário de Bridget Jones também rodou e também tá nojentinho).
Talvez eu passe os meus pra alguém, ou doe pra biblioteca municipal. Mas eu tenho certeza que eles não se sentem bem vindos na minha prateleira, e com toda razão.