Entupida de trabalho até o gargalo, larguei tudo o que eu tava fazendo e fui pra primeira aula do curso de Padaria Artesanal. Ok, vamos deixar pra trabalhar durante todo o sábado e vamos aprender a fazer pão. Afinal é o que se espera de um curso de padaria, curso que eu escolhi justamente porque não levo muito jeito com nada que precise tomar uma sova, he.
Na primeira aula você imagina que o ritmo será mais paradinho, afinal as pessoas ainda estão se adaptando e bla bla. Mas não precisava ser tão parado assim né? As receitas da aula foram bomba de chocolate (uma receita fácil, porque tem receita de bomba que faz jus ao nome) e sequilhos de fubá.
Oi, deixa ver se eu entendi direito: eu larguei o trabalho pra ir até lá aprender a fazer sequilhos? Não é por nada não, mas eu sou a pessoa que ontem fez cookies maravilhosos, vai me tirar de casa pra fazer sequilhos?

E pensa que ficou bonitinho como os sequilhos da vó do Daniel? Pfff…
E além de tudo é um sequilho bem do ruinzinho, diga-se de passagem.
Aí larguei mão né? Já que atrasei tudo, vou atrasar mais um pouco, só responder os e-mails e largar tudo pra amanhã, sábado =|
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O curso não teria perdido tanto a graça pra mim se não fosse pela questão da higiene. Claro, todo mundo chega, coloca touca e avental, lava as mãos e passa álcool… mas o que adianta? Quando volta pra cozinha é um tal de colocar a mão na roupa, abrir a bolsa pra pegar caneta… a higiene foi pro saco, aí a professora manda todo mundo colocar a mão na massa… ai que nojo, putaquepariu.
Outro dia eu li não-sei-onde que nunca existiram tantas pessoas com alergias e crises respiratórias e coisas do tipo porque o mundo está ficando muito limpo. Não sei onde! Todo mundo chegou ali de busão, por mais que você lave as mãos, a roupa ainda tá suja. Aí com a mesma mão que você fuçou a bolsa suja você vai sovar a massa do sequilho? Ah faz favor, mete uma luva nessa mão minha senhora.
É feito povo que trabalha em açougue com roupa branca, bota e chapeuzinho. Você passa na frente do açougue e tá o camarada lá, conversando com um fulaninho na porta, pisando com a bota no chão da rua. Ou enfermeiros que pegam o ônibus de jaleco.
Eu sou paranóica demais com essas coisas. Não como sem antes lavar as mãos, não sento no sofá com roupa de ônibus, não coloco bolsa suja em cima da cama, não entro com sapato dentro de casa… imagina se eu não ia morrer de nojo de fazer um curso onde todo mundo encosta na comida…
O que os olhos não vêem o coração não sente… por isso eu evito de esticar o pescoço pra dentro dos fast foods enquanto o pedido não sai =P