Amor e comida
Cozinhei pro meu pai hoje.
Meu pai e eu somos muito parecidos, e quando a gente convive muito tempo perto a coisa não dá muito certo. Nos anos em que os dois trabalhavam em casa a gente só faltou sair na porrada, mas agora ele trabalha em outra cidade, e embora eu deteste a cidade onde ele trabalha e algumas pessoas que trabalham com ele, a coisa tá bem mais fácil de se levar.
Aà outro dia eu fiz cupcakes de mel e escutei ele perguntando pra minha mãe quando eu iria fazer alguma coisa que ele pudesse comer. Porque ele tem diabete, mas é controladinha, e por isso ele vai lá e come cupcake até de pedra se eu fizer, fora que ele é absolutamente dramático, mas eu fiquei pensando no que ele disse. Encontrei uma receita que usa adoçante culinário e adaptei pra cupakes*.
Odeio cozinhar com adoçante. Adoro açúcar mascavo, farinha de aveia e todas essas coisas hipocritamente naturebas, mas não me pede pra usar adoçante. Se eu fiz minha própria baunilha porque a essência do supermercado é artificial demais, imagine o que eu não penso sobre aquelas gotinhas horrorosas (ai gente, tá bom, adoçante é necessário pras pessoas sentirem um docinho na vida sem morrer, eu sei, ao invés de encher meu saco com isso vão chupar um aspartame e me deixem em paz).
Mas o ponto nem é esse. Tô cozinhando pro meu pai. Embora a gente vá comer, é exclusivamente pro meu pai. Quem me conhece melhor sabe: se o mundo não acabou quando eu tirei essa fornada de cupcakes, não acaba nunca mais xD
É a tal história de eu encontrar amor na comida e tratar a comida com amor. Eu não cozinho pra quem eu não gosto, já vi muita receita minha desansando porque rolava uma má vontadezinha lá no fundo (coisa que, espero eu, tenha definitivamente acabado).
Aà ontem um passarinho me contou uma coisa que, apesar de muito divertida, me fez pensar. Tem gente nesse mundo pra quem eu não pretendo cozinhar. Nunca. Jamais. Aliás, tem gente nesse mundo que não merece sentar na mesma mesa que eu pra fazer uma refeição, quanto mais ser digno de comer um cupcake, um muffim ou um cookie que eu cozinhei. Não que toda comida que saia da minha cozinha seja sagrada, muito pelo contrário, já cozinhei pra evento e foda-se quem come ou quem deixa de comer. Não é isso. Eu simplesmente não vou me dar ao trabalho de passar pelo processo todo, desde escolher a receita e comprar os ingredientes até arrumar numa embalagem com cara de presente, pra alguém que, por alguma razão, não merece o trabalho que eu vou ter.
Prefiro deixar as minha receitas pras pessoas queridas apenas.
* Então. Adaptei a receita do bolo diet pra cupcakes diet. Mas são duas coisas novas, a receita do bolo básico e a adaptação pra cupcakes. Deu muito errado, e agora eu não sei qual das duas coisas dá errado: o bolo diet, que eu poderia fazer meia receita cada vez que assasse alguma coisa com açúcar comum pro meu pai não fazer mimimi, ou se é a genial técnica de colocar gelatina e iogurte no bolo, que eu pretendia usar no domingo pra cozinhar pros queridos. Tipo, se você pensar bem, adoçante culinário x gelatina na massa é a receita do desastre. Eu ainda acho que, se é pra consumir carboidrato e meter uma dose de adoçante pra dentro, compensa mais comer um cupcake normal por ano do que uma fornada de qualquer coisa que leve adoçante. Mas enfim.





