Dei de presente pra minha mãe e pra minha vó uma viagem pra Poços de Caldas, com uma excursão da terceira idade. É isso que a classe média do interior paulista gosta. E gente, Poços de Caldas é o quintal oficial do asilo paulista hein? Nego lá não se dá ao trabalho nem de ter sotaque.
Como a manha é de famÃlia, minha vó acabou me convencendo a ir junto. Eu, que não gosto de viajar.
Mas ó, até me comportei bem viu? Sexta a noite enquanto as pessoas dançavam (e eu pensava na @claubimba, que teria ficado mais feliz que pinto no lixo com a programação da viagem) eu fiquei no quarto vendo Simpsons e Heroes, ou seja, exatamente o mesmo comportamento anti-social que eu teria em casa. Sábado a gente fez algumas compras durante o dia e eu passei a noite, de novo, no quarto do hotel, mas a programação da tevê estava péssima (se eu sobesse que a Universal exibia House às 5h da manhã, com a minha vó e a minha mãe fofocando descontroladamente a essa hora no quarto ao lado, eu teria ligado a televisão!). Hoje eu já enchi o saco e já queria vir embora, tudo me irritava.
E sim, o hotel tinha internet, mas foi bom passar três dias offline.
Dessa vez meu cabelo não ficou a oitava maravilha do mundo sendo lavado com água mineral, e minha pele ainda deu uma desequilibrada forte (se eu fosse uma pessoa sem noção, a essa hora já teria mandado email/sms/scrap/twitt pra Dra. Beatch, minha dermatologista irmã gêmea da Dra. Amber, pra fazer mimimi).
Tirei fotinhas no estilo turista mas nada muito interessante. Hoje cedo fomos numa feira meio cafona-de-morrer numa praça com uma fonte que jorra uma água que fede mais que o peido do capeta, e um grupo de nativos bolivianos (você sabe, aqueles malditos com a flautinha que praticamente só sabe tocar o tema de Titanic!) estava se apresentando. Além da maldita flautinha eles tinham um flautão. E faziam coro, tipo uns barulhos e gemidos esquisitos. E dançavam! Cruzei a praça pra tirar uma foto, mas quando eu cheguei perto a coisa era tão vergonha alheia, mas tão vergonha alheia, que eu nem tive coragem, parecia errado demais parar pra tirar foto deles, mais ou menos como parar pra tirar foto de um acidente de carro.
Mas eu tirei umas fotos de um macaquinho que era muito simpático. E eu nem gosto de macaco! Ele vinha pegar comida dos turistas na mão, e eu sei que é uma judiação ficar dando bolacha recheada pra ele (a idéia não foi minha, foi de uma das senhorinhas da excursão que só tinha isso na bolsa, é que ela tinha 1,50m de altura e não alcançava o macaquinho), e eu acho que se o macaquinho vem comer na mão dos turistas alguém está perdendo uma baita chance de abrir uma barraquinha de bananas ali no Recanto Japonês (onde aliás eu comprei um par de hashis lindo, que eu tô louca pra usar, mas com China in Box que eu sou traidora do movimento).
Mas o mais importante de tudo: atravessei a fronteira do estado, fui pra Minas Gerais e encontrei a piroquinha! Não era bem o que eu imaginava, a piroquinha foi meio decepcionante, e além do mais existem doces muito mais interessantes pra se comer no eixo JundiaÃ-São Paulo. Piadinhas internas à parte, quanto mais eu aprendo a cozinhar mais eu olho com o nariz empinado pra comida na rua. Tipo, Kika Maria despreza profundamente o pão de queijo mineiro, porque né gente, meu pão de queijo é bem melhor. Nem me dei ao trabalho de comprar bolachinhas porque nada do que eu compre é melhor do que o que eu faço. E a broinha, que eu tinha a lembrança de ser uma coisa espetacular, me pareceu extremamente sem graça (de novo, vou comer broinha tão longe se eu posso comer broinha ali na esquina? não vou!).
Na volta fizemos uma parada num posto/conveniência/bar na beira da estrada e tava passando o primeiro jogo do campeonato brasileiro. Acho que mulher entre 20 e 30 anos que pára pra olhar a televisão em dia de jogo é artigo raro por lá, porque os garçons correram me perguntar pra que time eu torcia e coisa e talz. E só pra constar, a fama do Léo como “o mauricinho que faz escova no cabelo” já chegou em Mogi. “Ah, Paulista de Jundiaà não é o time daquele… loirinho?”. Ó como os machos da cidade estão bem representados ¬¬
Ó, amanhã eu edito o post e coloco fotinhas, inclusive da piroquinha. Hoje não que a cam tá lá longe e eu tô mto cansada.
update: Dando o contexto da piroquinha. Outro dia no MSN com o povo eu disse que “piroquinha” parece nome de doce mineiro, e que na minha cabeça o doce seria uma bolinha de massa folhada com recheio de doce de leite e passada no açúcar com canela. Provavelmente eu já tinha visto esse doce antes, só não lembrava. Lá em Poços de Caldas eu tinha certeza que acharia alguma coisa do tipo, mas no fim eu achei a massa muito gordurosa e o recheio muito doce. De boa, qualquer dia se me bater a louca eu tento fazer alguma coisa mais gostostinha em casa.
Antes que algum chato caia aqui de pára-quedas e venha me dizer que esse doce da foto não chama piroquinha, EU SEI QUE NÃO CHAMA PIROQUINHA! Primeiro que eu não lembro o nome, segundo que deixa eu fazer minhas piadas internas em paz.