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Papel e desapego

Não que eu não tenha nada pra fazer hoje, mas é que uma coisa leva a outra e eu tô aqui arrumando papelada antiga como forma descarada de procrastinação.

Eu me escandalizo com a quantidade de apostilas que eu imprimi no meu antigo emprego. Guias oficiais do Corel Draw 11, Photoshop 6, Flash 4. Tudo coisa de qualidade, tudo desatualizado cinco anos depois. Agora é papel, só papel. Algumas eu ainda posso usar o verso como rascunho ou sketchbook (basicamente tenho rascunho pro resto da vida), mas as impressas frente e verso agora são só… lixo.

Me dá um peso na consciência sem tamanho.

Eu continuo com o hábito de guardar muito mais apostilas do que eu leio, mas pelo menos agora eu guardo tudo em PDF. Não ocupa espaço e eu não vejo dentro do armário pra ficar com pena do papel branquinho que eu gastei à toa. Mas é que as apostilas impressas me dão outro peso na consciência mesmo: o de não ter aprendido essas coisas em 2004 quando eu era paga (ainda que muito mal paga) pra ficar o dia inteiro na frente do computador sem fazer nada.

E do outro lado, o desapego total. Eu costumo acumular recordações, mas também quando dá a louca vai tudo pro lixo. As polaroids desbotadas que eu tô scaneando agora. Os negativos das últimas fotos tiradas antes da minha primeira máquina digital (só guardei os da formatura, mas nem é apego, é pra mostrar pros eventuais netos, do mesmo jeito que eu guardei um disquetão velho vazio). E algumas outras coisas que eu penso em atear fogo, não pela minha piromania, mas porque me deixa desconfortável imaginar algumas coisas caindo na mão de outra pessoa, tipo recibos de cursos e talz. Acho que eu já vi muito filme de gente que stalkeia o lixo alheio nessa vida.

Mas o importante da faxina é que eu achei três tele-senas da minha mãe (é da minha mãe mesmo, não é vergonha de admitir que eu gasto dinheiro com tele-sena, porque todo mundo sabe que meu negócio é mega sena e quina haha). Quarta-feira a visitinha ao Club do Chocolate já tem uns troquinhos garantidos.

Padrões elevados

Difícil de acreditar em mim agora, mas este post NÃO foi inspirado na movimentação fora do normal na Liga hoje! Esse post nasceu numa conversa com a @claubimba no último domingo. Bom, considerando parcelas de culpas na história, pode ter sido exatamente o contrário. Enfim, aqui não rola nenhuma indiretinha, até porque o ponto é justamente esse: se precisa de indiretinha não vale a pena.

Mulheres têm uma coisa chamada padrões. Eu sei, soa meio papo de revista mulherzinha, e eu não sei se isso acontece com todas as mulheres do mundo, só sei que acontece comigo e com as duas outras meninas consultadas sobre o assunto.

Funciona assim: depois de um relacionamento (e aqui estamos falando de relacionamentos reais e saudáveis tá?) a gente estabelece um padrão de homem. Daí pra frente, a gente naturalmente procura um homem que supere ou se iguale a esses padrões.

Se eu der exemplos práticos vão me chamar de maria-gasolina pra baixo. Mas olha só: foda-se.

Meu ex tinha um carro. Tá, alguém acha mesmo que eu vou sair a noite de ônibus? Especialmente pra ir ao cinema, que aqui em Jundiaí é um inferno atravessar aquele cruzamento maldito da Ozanan pra chegar no ponto, e o Cecap volta cheio de casalzinho que fica se pegando no meio do caminho? Pra andar de ônibus, eu ando sozinha, assim eu vou ao cinema às quatro da tarde pra não ter que passar por isso. Pq eu não cato o carro do meu pai e vou? Não é da sua conta, mas qualquer dia eu provavelmente vou fazer um post sobre.

Mas deixando meus daddy issues de lado…. não estou falando de um carrão do ano. Mas também fusca não é carro etc.

Outro exemplo que vai despertar o bozo nos comentários: homem mais baixo que eu. Não gosto e pronto, acabou. Dos milhares (NOT) de caras que eu já peguei, alguns eram mais baixos que eu. Eventualmente muito mais baixos. E porra, é um desconforto desgraçado vc beijar um cara que tem sei lá, 10cm a menos. “Na horizontal não faz diferença”. Sério, se isso passou pela sua cabeça faz um favor e sai desse blog agora, mas passa na secretaria pra pegar o diploma de palhaço antes. Isso pra mim é papo de gente nanica. E não vai ser a piadinha amarela que vai mudar a minha opinião. Eu tbem acho igualmente horrorosos aqueles casais em que a menina tem 1m50 e o cara tem 2m de altura. Gosto é como cu, já sabe né?

Okey, até aqui meus padrões elevados podem ser confundidos com desculpinhas esfarrapadas pra não encarar um relacionamento adultinho e maduro e continuar na minha zona de conforto, no caso, a solteirice.

Mas olha só, acho que o padrão elevado mais importante que meu longínquo passado de relacionamentos saudáveis me deixou foi o seguinte: quando um cara tá interessado na gente, mesmo, ele faz alguma coisa. Só que faz tanto tempo que eu esqueci, precisei de um filme que jogasse isso na minha cara pra lembrar.

Outro dia eu falei pro RedJay que a partir do momento em que eu descontrolo por um pretê, eu sei que aquilo não vai dar em absolutamente nada. Se fosse dar em alguma coisa que preste, eu não precisaria descontrolar.

E vamos dizer assim: ultimamente, eu ando bem descontrolada. À toa.

Acho que essa é a parte mais complicada. Você ter tido a sorte de ter um relacionamento bonitinho e coisa e talz pra servir de parâmetro. Não deu certo, tá bom, mas só porque terminou não significa que não tenha começado direitinho. E é difícil superar isso.

Não me admira que eu tenha relacionamentos imaginários que durem mais tempo do que um namoro de verdade. E outra né, tão mais fácil você se basear numa pessoa ali que você mais ou menos já ouviu falar pra em cima disso montar um ser platônico imaginário que ocupa seu tempo. Bem mais prático do que ficar ensaiando pra puxar assunto, do que ficar pensando na lista de contras, ou do que correr o risco de tomar um tocão de alguém que faz o estilo indisponível rainha do gelo.

Tem um lado meu que ainda acha que tomar uma atitude é legal, especialmente quando você não tem nada a perder. O problema é que eu fico balançada entre o medo de ser uma pretendência ofensiva e a neura de tomar um fora daqueles bem tomados.

@theredjay mimimi mulherzinha danificada, JÃ SEI PORRA, me deixa me poupa te adoro beijos

Agora é o momento em que os caras que leram isso aqui se ofendem profundamente com a minha visão sincera da vida. Ah é? E vocês por acaso não têm padrões elevados de mulheres né? Só que enquanto nossos padrões envolvem caras com vidas estáveis e um mínimo de mojo e higiene, os padrões de vocês envolvem peitos e bundas. Às vezes, peitos e bundas photoshopados inclusive. Pensem nisso.

Poços de Caldas com a terceira idade

Dei de presente pra minha mãe e pra minha vó uma viagem pra Poços de Caldas, com uma excursão da terceira idade. É isso que a classe média do interior paulista gosta. E gente, Poços de Caldas é o quintal oficial do asilo paulista hein? Nego lá não se dá ao trabalho nem de ter sotaque.

Como a manha é de família, minha vó acabou me convencendo a ir junto. Eu, que não gosto de viajar.

Mas ó, até me comportei bem viu? Sexta a noite enquanto as pessoas dançavam (e eu pensava na @claubimba, que teria ficado mais feliz que pinto no lixo com a programação da viagem) eu fiquei no quarto vendo Simpsons e Heroes, ou seja, exatamente o mesmo comportamento anti-social que eu teria em casa. Sábado a gente fez algumas compras durante o dia e eu passei a noite, de novo, no quarto do hotel, mas a programação da tevê estava péssima (se eu sobesse que a Universal exibia House às 5h da manhã, com a minha vó e a minha mãe fofocando descontroladamente a essa hora no quarto ao lado, eu teria ligado a televisão!). Hoje eu já enchi o saco e já queria vir embora, tudo me irritava.

E sim, o hotel tinha internet, mas foi bom passar três dias offline.

Dessa vez meu cabelo não ficou a oitava maravilha do mundo sendo lavado com água mineral, e minha pele ainda deu uma desequilibrada forte (se eu fosse uma pessoa sem noção, a essa hora já teria mandado email/sms/scrap/twitt pra Dra. Beatch, minha dermatologista irmã gêmea da Dra. Amber, pra fazer mimimi).

Tirei fotinhas no estilo turista mas nada muito interessante. Hoje cedo fomos numa feira meio cafona-de-morrer numa praça com uma fonte que jorra uma água que fede mais que o peido do capeta, e um grupo de nativos bolivianos (você sabe, aqueles malditos com a flautinha que praticamente só sabe tocar o tema de Titanic!) estava se apresentando. Além da maldita flautinha eles tinham um flautão. E faziam coro, tipo uns barulhos e gemidos esquisitos. E dançavam! Cruzei a praça pra tirar uma foto, mas quando eu cheguei perto a coisa era tão vergonha alheia, mas tão vergonha alheia, que eu nem tive coragem, parecia errado demais parar pra tirar foto deles, mais ou menos como parar pra tirar foto de um acidente de carro.

Mas eu tirei umas fotos de um macaquinho que era muito simpático. E eu nem gosto de macaco! Ele vinha pegar comida dos turistas na mão, e eu sei que é uma judiação ficar dando bolacha recheada pra ele (a idéia não foi minha, foi de uma das senhorinhas da excursão que só tinha isso na bolsa, é que ela tinha 1,50m de altura e não alcançava o macaquinho), e eu acho que se o macaquinho vem comer na mão dos turistas alguém está perdendo uma baita chance de abrir uma barraquinha de bananas ali no Recanto Japonês (onde aliás eu comprei um par de hashis lindo, que eu tô louca pra usar, mas com China in Box que eu sou traidora do movimento).

Macaquinho Cascata das Antas Véu da Noiva Piroquinha

Da direita pra esquerda: macaquinho no Recanto Japonês, Cascata das Antas, Véu da Noiva e a piroquinha. Clica que cresce.

Mas o mais importante de tudo: atravessei a fronteira do estado, fui pra Minas Gerais e encontrei a piroquinha! Não era bem o que eu imaginava, a piroquinha foi meio decepcionante, e além do mais existem doces muito mais interessantes pra se comer no eixo Jundiaí-São Paulo. Piadinhas internas à parte, quanto mais eu aprendo a cozinhar mais eu olho com o nariz empinado pra comida na rua. Tipo, Kika Maria despreza profundamente o pão de queijo mineiro, porque né gente, meu pão de queijo é bem melhor. Nem me dei ao trabalho de comprar bolachinhas porque nada do que eu compre é melhor do que o que eu faço. E a broinha, que eu tinha a lembrança de ser uma coisa espetacular, me pareceu extremamente sem graça (de novo, vou comer broinha tão longe se eu posso comer broinha ali na esquina? não vou!).

Na volta fizemos uma parada num posto/conveniência/bar na beira da estrada e tava passando o primeiro jogo do campeonato brasileiro. Acho que mulher entre 20 e 30 anos que pára pra olhar a televisão em dia de jogo é artigo raro por lá, porque os garçons correram me perguntar pra que time eu torcia e coisa e talz. E só pra constar, a fama do Léo como “o mauricinho que faz escova no cabelo” já chegou em Mogi. “Ah, Paulista de Jundiaí não é o time daquele… loirinho?”. Ó como os machos da cidade estão bem representados ¬¬

Ó, amanhã eu edito o post e coloco fotinhas, inclusive da piroquinha. Hoje não que a cam tá lá longe e eu tô mto cansada.

update: Dando o contexto da piroquinha. Outro dia no MSN com o povo eu disse que “piroquinha” parece nome de doce mineiro, e que na minha cabeça o doce seria uma bolinha de massa folhada com recheio de doce de leite e passada no açúcar com canela. Provavelmente eu já tinha visto esse doce antes, só não lembrava. Lá em Poços de Caldas eu tinha certeza que acharia alguma coisa do tipo, mas no fim eu achei a massa muito gordurosa e o recheio muito doce. De boa, qualquer dia se me bater a louca eu tento fazer alguma coisa mais gostostinha em casa.

Antes que algum chato caia aqui de pára-quedas e venha me dizer que esse doce da foto não chama piroquinha, EU SEI QUE NÃO CHAMA PIROQUINHA! Primeiro que eu não lembro o nome, segundo que deixa eu fazer minhas piadas internas em paz.

A pretendência ofensiva

A pretendência é uma coisa muito complexa, não é mesmo minha gente?

Um belo dia, depois de alguma indiretinha, bigorna acme ou eventualmente um piano de cauda jogado sobre a sua cabeça, você se descobre pretê de alguém por aí. O que pode acontecer? Se a pretendência é correspondida vocês se acertam, ou não. Se não for recíproco, fica tudo por isso mesmo (não sem antes algum constrangimento, mas nada insuperável).

Mas e quando você descobre que alguém quer te pegar e isso te ofende profundamente?

Porque sério hein? Tem gente tão nojenta que você pensa “o que é isso, essa sub-espécie tá querendo me comer? pq raios isso aí tá ME NIVELANDO POR BAIXO?”.

Nivelar por baixo é a palavra-chave.

O pior é que essa raça maldita tira auto-estima sabe-se lá de onde e age como se fosse a última coca-cola do deserto. “Você não quer nada comigo e não sabe o que está perdendo”. E faz carão. Ah sei sim! Gente, sou capaz de fazer uma lista das coisas que eu tô perdendo. E tô perdendo feliz.

É totalmente diferente de descobrir que alguém que vc conhece tá a fim de você e pensar, “poxa, QUE PENA QUE NÃO ROLA hein?”. Na verdade, a pretendência ofensiva te causa um certo NOJO.

Pior que às vezes nem dá pra evitar um eventual contato físico social. Haja protex.

Aí assim né. Depois de três pretendências ofensivas, incluindo um cobrador de ônibus stalker e dois seres que nem humanos são, eu peguei todo um trauma na vida. Nem de indiretinha via twitter eu brinco mais. E o medo de ser uma ofensa pro pretê?? Gente, morro de alguém olhar pra mim de cima a baixo e pensar “ai que nojo”. MORRO!

E sinceramente né? Eu não sou uma pretendência ofensiva. Eu cozinho bem. Eu falo francês. Eu gosto de futebol. Eu nunca seria ofensa pra alguém.

Seria?

Não sei, não prefiro arriscar. Guardo pra mim.

#prontofalei

Aí vcs precisam entender que eu comecei a escrever este post depois de dois dedos de vinho, e mais ou menos na metade da idéia o efeito passou e só sobrou o sono. Então não esperem coerência. Aliás, NUNCA esperem coerência.

Speedy

Desde ontem a noite eu fiquei sem internet em casa, o que me fez entrar em leve desespero a ponto de ligar pra ele e pedir um – argh! – suporte técnico.

Achamos que era com o provedor, mas antes de descer na lan house pra assinar o Terra eu resolvi tentar o suporte do Speedy. Uma decisão muito difícil, porque eu não sei o que é pior, o clima de prostituição de uma lan house ou os macacos treinados que atendem o telefone. Fui de macaquinhos.

Felizmente o sistema da Telefonica agora é todo baseado em voz, substituiram os macaquinhos com atraso mental por um computador. Jóia.

- Fala que eu te escuto, o que está acontecendo?
- Speedy não funciona.
- Você solicitou… Reparo do Speedy… no momento a sua linha apresenta falhas técnicas, a previsão é de que o problema seja solucionado dia… 16… de… Janeiro… de… 2009… às….16… horas.
- MORRI!
- Desculpe, não entendi o que você disse, por favor repita.

Quer dizer, até o computador que atende o telefone presta mais atenção no que a gente diz do que os macaquinhos. Ninguém merece aquela história de limpar os cookies do IE.

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