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São Paulo

São Paulo é uma biscate feia, gorda, suja e louca.

Mas eu amo essa biscate, demais.

Do mesmo jeito que a gente é fascinada por aquela tia avó meio maluca que a gente só vê de vez em quando, mas se precisasse conviver com ela estaria consultando preços de asilos em menos de uma semana.

Adoro São Paulo, e gosto ainda mais de voltar pra Jundiaí no final do dia.

Mas tá, não é sempre que eu tô no mood pra capital. Hoje por exemplo, eu não tava. O dia já começou cagado, com uma chuva besta e fora de hora. Tentei fazer chapinha no cabelo pra ficar mais apresentável e menos bemloka – porque good hair day acontece *só* quando eu não vou botar a cara na rua – mas chuva e calor não são amigos da minha prancha. Perdi o Cometinha. Me perdi na Barra Funda, porque me preocupei tanto com o mapa do caminho que esqueci que a Barra Funda é uma cidade que precisa de um mapa só pra ela. Conheci um programador com potencial pra ser o clichê da pedra no caminho da designer.

E teve a volta pra casa. Era cedo, por que não dar uma voltinha no shopping né? Idéia de merda dos infernos, se eu tivesse ido direto pra Barra Funda teria dado tempo de chegar sequinha. Porque aquele temporal monstro que caiu hoje me pegou no meio da rua, no ponto certinho em que tanto fazia voltar pra debaixo do viaduto ou continuar pro terminal, sem uma porcaria de um ponto de ônibus ou um toldo pra eu me esconder. Do tipo exato de temporal em que guarda-chuva mais atrapalha do que ajuda. E que te empurra pela rua como se fosse uma pessoa esbarrando em você. E que acaba com o teu all star preferido quando você entocha o pé numa poça de sabe-deus-o-que.

Porque vamos ser justos, em Jundiaí a gente sabe as poças que são sujas porque a chuva lavou a calçada, e as poças que a gente deve desviar. Em São Paulo é melhor nem saber o conteúdo daquela água.

Agora, imagine uma pessoa ensopada. Tão ensopada, mas tão ensopada, que precisa sair da Barra Funda onde pegaria o ônibus de volta pra casa, pegar o metrô até a Tietê e ainda dar um tempinho antes de entrar no Cometa porque não tem condições de entrar no ônibus de tão molhada. Aí você adiciona um Cometa com ar condicionado (Murphy cadelo), uma pessoa morrendo de gripe sentada no banco ao lado, 45 minutos de congestionamento na marginal, e voilà, melhor entornar três tabletes de Cebion de uma só vez pra pelo menos tentar um efeito psicológico contra a gripe né?

E por incrível que pareça, eu passei por um dia de merda desses com um humor impecável. Não matei nenhum programador (ainda*) Dei risada de mim mesma várias vezes e me irritei muito pouco com o moleque maldito que ficou chutando o meu banco não-reclinado no Cometa** e com a cidadã gripada que acordada tossia e dormindo roncava ao meu lado.

Um dia de pouco glamour na vida desta freela que vos bloga.

 

* Programadores do mundo: SEM MIMIMI ok? O que vocês fazem pra ganhar dinheiro é problema de vocês, não meu. Juro que vou limar comentários defendendo a classe. Entendeu, Frank?

** Qualquer dia eu preciso fazer um post sobre o Cometa. O título vai ser “Reclinar poltronas de ônibus – não tem cama em casa não, ô filho de uma puta maldito?” xD

Bairrismo na geléia

Brasileiro é um bicho muito tonto. Algumas empresas usam a mesma embalagem em toda América Latina, o que eu já acho de péssimo gosto porque oi, somos brasileiros, não falamos espanhol e nossa capital não é Buenos Aires, então um pouco de atenção nesse sentido seria bem legal se você considerar o tamanho do nosso país.

Aí tem o cúmulo do poserismo: qualquer empresinha de fundo de quintal acha lindo ter embalagem bilíngue. E eu pergunto pra que, porque fora os produtos de multinacionais que chegam aqui sendo produzidos na Argentina e coisa e talz pra reduzir custo (tipo as coisas da Unilever), os produtos importados que chegam do resto da América Latina estão se cagando pra embalagens bilíngues.

Ou vai ver que eles também acham que a gente fala espanhol né? Vai saber.

Ontem no supermercado compramos uma geléia argentina que além de horrorosa não tinha nenhuma dica sobre sabor na embalagem fora umas figuras deformadas. Acabei ficando com a de framboesa porque foi a única que eu reconheci com certeza (mas também poderia ser uma amora desbotada né?).

Quer dizer, a gente aqui faz todo um esforço no sentido de fazer o Mercosul funcionar (a gente não que eu e meu bairrismo estamos *tão* fora disso) e os hermanos acham graça em continuar blasé com a gente.

Brasileiro é muito pastel mesmo…

Pérolas regionais

Todo mundo fala besteira na vida, mas tem coisas que não dá pra deixar passar.

Acabei de encontrar num jornal:

(…) em Jundiaí, cidade próxima a Campo Limpo Paulista (…)

Só um jundiaiense bairrista vai compreender a sutileza da piada…

A biblioteca de Jundiaí

Você, cidadão jundiaiense, já visitou a nossa querida Biblioteca Municipal?

É um espaço amplo, muito bem aproveitado, praticamente no centro da cidade, que oferece desde revistas de fofoca a livros jurídicos. Tudo de graça, pra você cidadão pagador de impostos.

Pois é, cidadão. Visite a biblioteca.

Mas, por tudo o que há de mais sagrado, suba de escada.

Aquele elevador é psicótico. Sério.

Minha primeira experiência de ficar presa num elevador. Nem foi tão problemática quanto eu sempre calculei. Na verdade, foi meio patético ver o único homem presente ser a pessoa com mais pânico ali dentro.

Crianças, usem a escada. Faz bem pro coração. Fortalece os glúteos. A paisagem de lá de cima é linda. Vão por mim.

* Sempre lembrando que os habitantes de Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista não recolhem impostos aqui, portanto deveriam se contentar com o que as suas cidades oferecem. Se não oferecem nada, o problema não é nosso. Nasci com o bairrismo mode on.

Nova rodoviária

Então que Jundiaí ganhou uma rodoviária moderna, bonita… no cu do Judas e sem ônibus pra chegar até lá, porque o secretário de transporte não usa coletivo, mas mesmo assim a coisa tem seus méritos. Não é um pulgueiro cheio de chesters como a antiga.

Sabe que qdo os meninos vieram pra cá descobriram finalmente de onde vêm os chesters do natal né? são as pombas da rodoviária daqui! bom, pelo menos eram, esse ano não sei como vai ser o natal do povo…

Só que não tem nem duas semanas que inaugurou e já tem gente fazendo a rodoviária de albergue, de favela. Sabe aqueles andarilhos que vivem pra baixo e pra cima com uns sacos plásticos imundos e um cachorro pulguento do lado? Só faltou o cachorro.

Não que eu ache que a rodoviária deva ser fechada e a entrada desse tipo de gente proibida. Bom, na verdade eu acho isso sim, mas eu nunca daria uma sugestão dessas pra prefeitura. Talvez só insinuaria com um certo sarcasmo. Eu sou do time daquele prefeito no Paraná que mandava os mendigos de volta pra terra deles sabe? Então.

Mas é bem desagradável ficar esperando o ônibus do lado de um exemplar da espécie. Parece que você tá debaixo do viaduto. Quer dormir, dorme em casa (no barraco, whatever). Se o ônibus vai demorar, esperá-lo como gente civilizada não vai arrancar pedaço. Mas não, o povo já se espalha: saco de tralhas num banco, outro banco de cama, chinelão no meio do caminho… make yourself at home total, pior que cunhado de piada ruim.

No centro da cidade resolveram isso colocando uns banquinhos com divisória, que aperta as bundas maiores mas não deixa ninguém dormir. Eu prefiro passar dor no culote do que passar nojo.

Pessoa sem humanidade no coração né? Acho bonito.