Baranga
O primeiro passo pra consertar uma cagada um erro é admitir o problema. Pelo menos segundo os livros de auto-ajuda.
Então eu estou oficialmente admitindo que eu sou uma baranga. Tô nos quase 30, como a minha mãe começou a jogar na minha cara essa semana (alguém avisa ela que eu ainda tenho 3 anos? brigada), e tô acabada.
E eu culpo a vida de freelancer.
Porque eu sou boa no meu trabalho, mas precisou de convívio social, começa a merda. Eu até consigo forçar uma simpatia, embora de vez em quando eu desafine.
Mas sabe, abrir o armário, escolher uma roupa adequada pra visitar um cliente, se portar adequadamente dentro dessa roupa durante um dia todo. Não sei fazer.
Pra começar, eu não sei comprar roupas adequadas se eu precisar sair do estilo calça jeans e camiseta. E eu nem sei se dá pra classificar isso como adequado, é só o que eu gosto de usar e me sinto bem dentro, acabou.
Eu não sei andar de sapatinho. Só sei andar de all star, então eu vou tentar enfiar um all star colorido em qquer produção.
E eu não tenho a mais remota noção de como me maquiar. Do gênero nem maquiagem eu tenho dentro do armário. Devo ter um gloss que uma parente muito erroneamente me trouxe de presente de viagem. Já deve ter vencido. Me bota pra comprar esmalte (embora minha unha não cresça o suficiente pra eu usar), qualquer produto pra cabelo, desodorante cheirosinho, ou um hidratante foderoso, eu tô lá. Sou capaz de gastar 3 dígidos nessas coisas rapidinho. E adoro. Mas não maquiagem. Maquiagem não é pra mim.
Eu sou ótima pra trabalhar em casa de roupa velha. Camiseta rasgada e calça com as canelas cortadas. Aquela roupa que dá vergonha de atender o telefone de tão cagada. Aquela que se você colocar num saco pra doação os favelados vão usar pra forrar a casinha do cachorro porque não tem condições.
Bom, pelo menos eu tenho umas bolsas ótimas.
E vamos combinar? Mesmo com a total e absoluta falta de convívio social - que é um negocinho patza importante, mesmo que seja almoçar com os colegas de trabalho de vez em quando - eu ainda prefiro a minha vida de freelancer, confinada nessa sauna de 12m², do que trabalhar em São Paulo tá? Deus me livre e guarde de perder várias horas de vida todo dia no trânsito, dentro de um trem, ou pior, dentro de um ônibus em que as pessoas se comportam como se estivessem em casa - inclina o banco porque nunca viu uma cama na vida, abre a janela e começa a falar sozinho. Ou no celular, tanto faz. O mundo é lindo, mas a humanidade é uma merda.
Depois de mais essa seção diarinho pra me certificar de que através do blog eu jamais arrumarei um macho porque eu não tenho freio, vou ali dormir um pouquinho.