Blackadder e porque eu amo o humor inglês

Pronto, *agora* eu acabei de assistir Blackadder. Todas as temporadas e os especiais.
E eu preciso dizer que a cada coisa do tipo que eu acompanho fico mais fã do humor inglês. Não só pelo Rowan Atkinson, mas também pelo Stephen Fry e pelo Hugh Laurie, sempre. E, óbvio, Douglas Adams e Terry Pratchett que moldaram meu sarcasmo nos últimos anos.
Stephen Fry, que acabou como narrador do filme Guia do Mochileiro (adequado) e que fazia dupla com o Hugh Laurie em A Bit of Fry and Laurie, série que provavelmente nunca vai sair em DVD aqui no Brasil mas que vale um pulinho no YouTube.
Enfim, o mundo do humor britânico é um ovo de cordorna.
Blackadder é de antes de Mr. Bean e isso eu não sabia. Aliás, de tudo o que eu gosto de Mr. Bean (no pun indeed) eu nunca tive coragem de comprar o box da série. Provavelmente vou fazer xixi na cama toda noite se esse DVD entrar no meu quarto. Piada interna mode off.
Voltando a Blackadder, as quatro temporadas foram exibidas nos anos 80, e cada uma se passa em uma época diferente da história britânica, mas sempre com um sarcástico Edmund Blackadder e um Baldrick esfarrapado como protagonistas. Aliás, se em alguma temporada eles explicaram como é que eles são da mesma linhagem sendo que nenhum deles teve filhos (especialmente o Baldrick, que em um dos especiais é definido como “o encontro infeliz de um porco de fazenda com uma mulher barbada”) eu perdi a explicação. Tá, licença poética, eu sei.
Como é um humor baseado na história da Inglaterra, não dá pra entender metade das piadas (as que envolvem personagens e trocadilhos históricos), fica inviável assistir sem legenda por causa do sotaque e o sarro que eles tiram dos franceses é enorme (isso dá pra entender muito bem, e é hilário!). Se bem que as piadas simples, envolvendo o sarcasmo nosso de cada dia, já fazem a coisa toda valer a pena.
Minha temporada preferida foi a quarta, que se passa durante a primeira guerra mundial. As melhores piadas, o trocadilho com o capitão Darling (“hello, Darling!” ou “Shhh, Darling, not now”) e Georgina, musa:

Tem vídeo da Georgina aqui, legendado aliás, mega recomendo.
Os especiais são mais bobinhos. No especial de Natal tem esse membro da família Blackadder que é bonzinho, até demais, e quando recebe a visita do espírito do Natal que está na cidade para assustar as pessoas ruins (espírito de Natal que por acaso é o Hagrid dos filmes de Harry Potter, ou seja, isso é uma panelinha inglesa!) conhece um pouco de como os antepassados dele eram ruins até o osso, e aí claro que dá merda.
Em 1999 resolveram fazer outro especial, em que o Blackadder da virada do século entra numa máquina do tempo fake pra ganhar uma aposta. Só que a máquina do tempo foi construída pelo Baldrick, então como se esperava que ela não funcionasse de repente os dois estão viajando no tempo dentro de uma caixa de madeira e cagando na história. Blackadder encontra até o Shakespeare do Colin Firth (Colin Firth, o Mark Darcy dos filmes de Bridget Jones, panelinha inglesa!). Até a Kate Moss enfiaram no especial. Aliás, o final compensa aquela vibe de “ah tá, dez anos depois resolveram fazer um revival pra ganhar dinheiro, que merda”.
Muito, muito bom. Infelizmente não tem tudo isso em DVD aqui no Brasil, e a essa altura eu já resolvi que vou guardar as mídias em que eu gravei todos os episódios ao invés de botar os DVDs pra rodar como eu quero fazer com outras séries que eu queimei mídia pra desocupar espaço no HD antigo. Se vergonha na cara eu tivesse, sincronizar com as legendas e gravar em formato DVD eu iria. Mas né, não.