Stacy Temple: Virgem Por Acaso
A *melhor* aquisição de 2008 (embora tenha sido feita no Natal de 2007) foi um celular que abre arquivos de texto. Desde que eu aprendi a instalar e-books no meu Nokia 5200 tenho lido muito mais (e dormido muito menos, e acordado feito uma zumbi de mau humor quase todo dia, mas isso é irrelevante).
Só que, na mesma proporção que eu vou ler mais, o ritmo crescimento da minha prateleira de livros coloridos vai diminuir. Porque antes de gastar 40 pilas com uma ficção, eu vou baixá-lo, ler, e se for um livro que eu pense “nossa, adoraria ler isso de novo daqui dois ou três anos”, eu compro.
Caso contrário, o livro vai cair no limbo eterno do esquecimento, que é mais ou menos o que acontece com Stacy Temple: Virgem Por Acaso de Valerie Frankel.
Primeiro que todo mundo que resenhou o livro não sabe do que tá falando. A Stacy não é webdesigner nem aqui nem em Piraporinha do Perpétuo Socorro, então metade da graça do livro foi pro saco quando eu descobri que na verdade ela é responsável pela criação de produtos de uma loja virtual, apenas. A outra metade da graça foi embora quando eu percebi que a história era muito ruim.
Mas até dá pra entender a confusão, pq a resenha original define a Stacy como designer, coisa que ela realmente é, só que ela é designer de calcinhas, e não do site onde ela trabalha. Sei lá, às vezes eu acho que é pedir demais querer que essa gente que escreve resenhas e desenha capas de livros e DVDs pra dar uma olhadinha rápida na história.
Tipos que eu não sou escritora nem nada, mas eu acho que uma chick-lit não deveria se prender no tempo. Claro que daqui 50 anos vai ser estranho ler um livro que fale de celulares e palms e notebooks e essas tralhas tecnológicas da nossa época, mas no caso desse livro a história se passa em 1999, no estouro da bolha da Internet, e só faz sentido pra quem sabe o que é isso. Me perdoem as leitoras de chick-lit medianas que por acaso estejam lendo isso, mas precisa ser muito geek pra entender o que significou o estouro da bolha, e eu não acho que o público desse tipo de livro seja composto de uma maioria geek (especialmente se você informa a profissão errada da personagem principal numa resenha).
E o final da história é bobinho de tudo, muito bobo mesmo. Não vou fazer spoiler e dizer como o último capítulo é simplesmente impossível, mas não dá, até pra uma ficção é forçar demais a amizade. O único mérito da versão brasileira é ter uma capa bonitinha. Porque nossos designers de capas de livros são melhores que os designers de capas de livros deles - exceto quando são obrigados a entochar um cartaz de filme, mas não vou falar disso de novo, não neste post.
Deus abençoe os engenheiros da Nokia, pra eles continuarem colaborando com a tecnologia nossa de cada dia, e nos poupar de gastar dinheiro com esse tipo de roubada.
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Eu não achei que um dia eu chegaria ao ponto de consumir livros que não fossem originais e em papel, porque sempre detestei ler PDF na tela do computador, mas vamos combinar: se não colocassem tanto livro ruim - e caro - no mercado isso não aconteceria. Eu não entendo a necessidade de um papel branquinho, quando se pode usar um reciclado amarelinho e ser politicamente correto por exemplo. Mas eu não sou nenhuma especialista em livros, e não tenho saco pra aguentar o papo de quem é, então quem sou eu pra falar disso né? Só uma pessoa que consome livros, só isso.