Fronteiras do Universo

Um post que vem sendo adiado desde domingo…

Depois de todo aquele escândalo a respeito da capa de A Bússola de Ouro, finalmente terminei de ler a trilogia do Philip Pullman.

Bom, como é que eu vou colocar essa questão? Digamos assim que, depois do terceiro livro, eu meio que fiquei seriamente em dúvida se vale a pena gastar mais de 70 dinheiros na coleção.

O primeiro volume é ótimo, maravilhoso, de tirar o fôlego. Apesar de ser a história de uma criança, tem todo um tom de aventura fantástica que me prendeu. Eu não via a hora de terminar pra começar o segundo.

Quando eu cheguei no A Faca Sutil, comecei a achar a história um pouco forte. Não pra mim, óbvio, mas eu achei que pra um livro definido como “literatura infanto-juvenil”, aquela coisa toda de morte era meio pesada. Pode até ser que o livro não seja pra essa faixa etária, mas o filme vai ser. Mas até aqui, eu tava gostando.

E pra mim isso já é meio que o contrário de Harry Potter, que demorou anos pra ser escrito, e o personagem foi crescendo mais ou menos no mesmo ritmo. Uma criança que leu o primeiro livro quando ele foi lançado já estava crescida qdo começou a morrer gente - já uma criança que tá descobrindo Harry Potter agora e fosse ler tudo de uma vez teria sérios problemas quando chegasse no quinto volume. *Eu* quase morri de horror quando cheguei no sexto livro!

Quando eu cheguei no A Luneta Âmbar, fiquei bege e finalmente entendi porque a igreja católica odeia o Philip Pullman. Ele, que é “ateu fervoroso” até onde eu sei, desce a lenha mesmo.

Eu não faço segredo pra ninguém que já fui evangélica praticante há alguns anos. Adoro literatura cristã, tô louca pra terminar de ler a série Deixados Para Trás (não no celular, em papel, pra ter na prateleira, mas o preço absurdo de cada volume que nunca entra em promoção não deixa), mas por vários motivos que não interessam eu abandonei a religião. Mesmo assim eu achei aquilo tudo tão desnecessário… não a história em si, mas o modo como ela é conduzida. E isso me tirou um pouco a vontade de ter a coleção na prateleira (isso e a velha história da capa do primeiro volume, ainda), simplesmente porque não é o tipo de história que eu gostaria de reler daqui, sei lá, 3 ou 4 anos, só pela maneira como o terceiro livro trata a questão da religião.

Já que eu não vou conseguir a capa antiga*, pelo menos dessa procura eu desisti. Pode até ser que eu aproveite alguma promoção no Submarino pra comprar tudo junto com desconto (juro que o fato dos livros estar em promoção *hoje* é uma baita coincidência, porque eu nem tinha encontrado os três na lista de 500 livros em promoção quando eu olhei - devo ter olhado a lista com o rabo pra não ver, mas tudo bem). Ou talvez eu não compre e me arrependa por isso quando o segundo filme sair. Ou não. Não sei.

Na real, eu acho que eu tirei férias de mim mesma e sou outra pessoa no comando, porque nionde que uma Kika com saldo positivo no banco fica pensando se compra ou não alguma coisa?

* * *

* É preciso dizer que a Livraria Cultura tem um atendimento muito simpático - não apenas me responderam que não tinham mais a capa antiga em estoque nas lojas físicas, como entraram em contato com a editora pra ver se era possível consegui-la. A Editora Objetiva também me respondeu de uma maneira muito simpática, embora não tenha sido a resposta que eu esperava, porque não vão mais editar a capa anterior. O atendimento por chat do Submarino deve ser feito por macacos treinados pra abertar botão, não é possível. E a Fnac pelo jeito está muito acima desse tipo de questão pra se dar ao trabalho de me responder.

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