Bandidinho

Desespero: todos os meus sites ficaram fora do ar por uns 5 ou 10 minutos. Tipo *t*o*d*o*s* eles. Já tava me preparando pra jogar uma pedra no suporte técnico da hospedagem, mas de repente tudo voltou ao normal.

Eu sou uma pessoa mergulhada no tédio.

Acho que é do cerumano nunca estar satisfeito. Quando você trabalha fora, acha que a idéia de trabalhar em casa de pijama é o paraíso. Só que depois de uns 2 anos trabalhando assim, você começa a se questionar se a falta de contato social não está contribuindo pra te transformar numa pedra.

Sabe a imagem da velha louca que vive rodeada de gatos? Eu olho pro futuro e tenho essa imagem de mim mesma, só que rodeada de passarinhos (porque eu não sou uma cat person).

Enfim, você pensa “foda-se, vou me dar uma tarde no cinema”. Existe a preguiça de sair de casa, existe a preguiça de fazer contato social com as pessoas (pra isso existe o auto-atendimento na bilheteria, ok), mas a gente supera essas coisas e o único dilema passa a ser que filme assistir, já que eu preciso fazer valer meus R$ 10 e qualquer coisa que esteja em cartaz agora vai estar passando na Argentina daqui no máximo alguns meses com qualidade de DVD e num monitor wide.

Aí você escuta um barulho na rua. Acha que é uma bombinha, porque criança é um bicho desocupado que adora bombinha, e continua a sua vida. Até que a sua mãe te chama pra ver um cara que acabou de tomar um tiro na esquina da tua casa.

Agora pipocam várias histórias, mas até agora todo mundo tem dito que foram dois moleques. Adolescentes mesmo. Do mesmo tipo que poderia estar assassinando o português no orkut. Incompetente. Deram três tiros no cara, e o cara foi vivo e conversando pro hospital.

Até no mundo do crime tem essas crianças que não prestam pra absolutamente nada né? Aliás, prestam… prestam pra acabar com a sua tarde no cinema, porque eu não vou deixar a minha mãe sozinha. Claro que as chances de acontecer outra vingancinha mal executada na esquina ainda hoje são nulas, mas ela está histérica em ter que trabalhar numa rua dessas, sabendo que os assassininhos-wannabe passam aqui na frente toda hora (pra assaltar a padaria da esquina, geralmente). Uma coisa que só quem mora nesta porra de bairro sabe.

O mais engraçado é que a cena toda aconteceu na frente de um condomínio de luxo que estão construindo. Coisa pheena (se bem que, se eu tivesse 200 pilas, jamais compraria uma casa num projeto idiota daqueles). Só que o povo de fora que vem dar uma olhada nos apartamentos nem imagina o que acontece da rua seguinte pra cima. De repente, eu tô morando em outro bairro e ninguém me contou (se bem que eu tenho mentido sobre o bairro onde eu moro desde… sempre?). Um bairro com muito comércio, muita indústria. Arram. Okey. Publicidade é coisa do demo, de qualquer maneira.

E a incompetência é outra coisa do demo, pq se os moleques que deram três tiros no outro tivessem acertado pelo menos um direito, o bairro inteiro se cagaria de medo, o comércio fecharia e eu poderia ir pro cinema sossegada sabendo que a minha mãe estaria segura dentro de casa. E ainda teria um bandidinho a menos na rua, porque oi, com aquela cara e tomando um tiro numa manhã de segunda-feira o cara é o que, santo?

Ok, modo distorcido de pensar é uma das minhas especialidades. Eu também pensei na possibilidade do ponto de ônibus estar cheio de gente e os moleques incompetentes matarem a pessoa errada, mas acho que isso é o cúmulo do óbvio, algo que todo mundo pensa nessas horas.

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