Bad, bad day

I’ll get by with a little help from my friends.

Se eu tivesse saído de casa hoje sozinha, diria que foi um daqueles dias *cagados*. Mas como eu estava com os meninos, a bad vibe virou mais uma piada do que qualquer outra coisa.

* * *

Eu já achei tudo muito cagado no Mortadela Brasil, no Mercadão da Cidade. Dizem que é uma filial da lanchonete do Mercadão de São Paulo, mas uma filial que tá precisando aprender como funcionar primeiro.

Quando a gente chegou eu fiquei meio chateada de interromper a conversa dos garçons. Eles estavam tão compenetrados na sua rodinha que eu acho que o assunto era importante. Tão importante que 11h30 da manhã ninguém tinha nem limpado as mesas ainda.

O lanche dos meninos eu não sei (sério que custou 18 pilas cada lanche de mortadela?), mas o meu pastel de bacalhau foi decepcionante. Era pequeno, e o bacalhau estava seco. Da próxima vez que os meninos vierem pra cá, vou levá-los no La Mama, pra comerem um pastel de verdade. Ou na feira.

E na hora de pedir a conta, de novo precisei interromper o assunto importantíssimo do grupo. Cara, que falta de educação a minha…

* * *

No Habib’s tudo ia muito bem, até a pastel da atendente esquecer dos meus Dedinhos. Aquele doce novo. Vinte minutos depois, eu continuava lá esperando. Os meninos comeram, as esfihas esfriaram, e eu lá plantada.

Fui pedir o dinheiro dos Dedinhos de volta, e a pastel se tocou que tinha *esquecido* do meu pedido. Tudo isso pra uns docinhos minúsculos, muito doces e gelados. Detestei.

* * *

<caco antibes mode on>

Aí hostess pobre é foda né? Não dá pra levar as pessoas pra baixo e pra cima de ônibus. Porque quando o busão chegou, já lotado, ainda tinha mais uma pá de gente pra entrar. E, claro, alguém lá do fundo começou a chingar o motorista.

Assim. O motorista geralmente não é como a atendente pastel do Habib’s que esquece o teu pedido enquanto atende todo mundo. Ali tá todo mundo no mesmo barco, poha. Eu tenho certeza de que se tem alguma classe no mundo que adoraria ver mais ônibus na rua pra que as pessoas andassem com mais espaço, seria a dos motoristas de ônibus. Por isso, eu acho que reclamar dentro do ônibus é uma coisa bem periferia desagradável sabe?

Eu vivo chingando busão no blog (blog é meu, faço o que eu quero, não gostou fecha, etc), mas *dentro* do ônibus eu não abro a boca. Vou direto no 156 pra reclamar, ué! Se o ônibus tá lotado, o motorista não vai resolver. Se o motorista não parou no ponto pra você descer, ele tá se cagando, não adianta berrar com ele - vai avisar o chefe dele.

E olha, nenhum dos malas que estavam reclamando tinham uma cecília na cara. Certeza. Até porque quando rola uma cecília a última coisa que você faz é falar, pra não precisar respirar aquele ar fétido.

* * *

E como quanto mais lotado o ônibus, mais ele demora pra chegar no terminal, deu tempo de duas coisas meigas rolarem lá dentro, pra gerar assunto de blog:

(1) A mulher que cacarejava sem parar no meu ombro… eu tava vendo que ela ia cuspir em mim enquanto falava. E ia voar pela janela né? Eu tenho certeza que conheço a peça de algum lugar. Cidade pequena é isso.

Nessas horas só falando em inglês pra expressar sua opinião pessoa sem gerar possibilidade de contato físico. Por isso eu sou super pró as pessoas falarem francês. Tenho certeza que ninguém entende o que vc tá dizendo.

Ela ainda insinuou que eu sou o tipo de pessoa que não precisa pegar ônibus pra trabalhar. Não sou mesmo ué! Vou chorar? Vou arrumar um emprego suburbano pra não ser diferente da maioria proletária? Sou pego o ônibus pra estudar, e graças aos céus nenhum lotado daquele jeito. E eu não tenho culpa se trabalho menos que ela e ganho mais (qdo trabalho, óbvio).

(2) O bêbado que fungou no meu cangote.

- Ô tio, fungada no cangote não hein!
- Que tio o que, sou mais novo que você…
- Alguém tem um isqueiro?

Hahahahha, ele não só estava visivelmente trêbado como ficava me chamando de buchinha. Como eu não tenho o *menor* interesse em dialetos regionais, tô cagando pro que isso significa. Mas eu tenho certeza de que pior do que chamar um tiozão de tio não é.

* * *

Porque vamos falar sério. A quantidade de manos que habita o mundo é uma coisa alarmante. O mundo merece um Live Earth só a respeito das pessoas que estão sobrando na Terra. E em todo grupo de mano sempre tem um que, ao invés do boné, usa um cata-ovo. Pra mim é a fêmea do grupo.

* * *

Essa foi em casa:

- Mas mãe, o pai nunca andou de ônibus… porque se é verdade que ele não me deixa pegar o carro porque tem medo, ele teria muito mais medo de me deixar andando de terminal a noite. Ele não tem noção do que é pegar um ônibus!
- Filha, teu pai não tem noção de nada.

Sabedoria.

* * *

Sei lá, a melhor coisa desses dias cagados é chegar em casa e tomar banho com Protex. E eu prometo que não deixo os meninos passarem por um dia tão cagado de novo. Pelo menos não com ônibus. Ninguém merece ônibus lotado domingo a noite.

Bom, pelo menos *eu* não mereço.

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