De mãos abanando

Fui pro shopping esta noite com uma missão clara: voltar pra casa com um celular da Nokia que tivesse cam, mp3 e acesso à Internet.

Minha relação com as compras é bem simples: se eu me encanto com algo, não importa quanto custa, eu quero e pronto. Se eu resolver comprar vai ser na hora, não preciso dar uma voltinha pra decidir.

Foi o que aconteceu com as gavetas de papelão coloridas que eu comprei hoje. Olhei, decidi que eu queria (pra colocar tralhas dentro, porque tralha é uma coisa que brota no meu quarto, espaço pra elas nunca é demais). Comprei, pronto.

Mas com o celular não foi bem assim.

Eu até achei o modelo que eu queria, mas nos grandes magazines ele custava R$ 150 a mais que na loja da Tim. E na loja da Tim tinha fila. E na fila tinha uma guria muito, mas muito insuportável.

Sabe quando não dá vontade de comprar?

E vamos combinar, eu não preciso de um celular. Não lembro quando foi a última vez que eu usei o meu Nokia azulzinho velho de guerra. E ele tem uma meinha pink. Gente, uma meinha pink. Acho que tá de bom tamanho né?

O mp3 já vai comigo pra todo canto, agora é só largar mão de ser cagona e levar a cam pra cima e pra baixo tbém que pronto. São 3 tralhas, mas eu economizo R$ 650.

Acho que o bom negócio do dia foi não comprar um celular.

Eu não sei se foi a falta de ar-condicionado dentro do shopping nessa quente e seca noite de outono, mas os vendedores de lá estavam um cu. Todos eles. Insuportáveis. Da balconista do Habib’s à caixa das Lojas Americanas. Um cu.

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