Discursinho furado

Ó, não rola mesmo sair de casa se eu não quiser que as pessoas me tratem como uma aberração mutante. Uma vizinha, fofíssima (estrangula), fez o favor de gritar do meio da calçada se eu estava com catapora.

Não tô com nada, minha mãe tá na padaria.

Ah te catá, né?

 
Amanhã tem a formatura da faculdade do meu pai e eu não vou nem amarrada. Até tinha pensado na possibilidade de colocar o narizinho inchadinho de baratinha menstruada pra fora, mas certeza absoluta de que a última coisa que eu quero é a que mais vai acontecer: bando de gente suada (pq tá um calor do cão aqui) vindo me cumprimentar, perguntando o que eu tenho e insistindo no contato físico porque “ah, eu já peguei isso quando era criança mesmo”. Pegou, problema seu, mas eu não tô afim de trazer sujeira pra dentro das minhas feridinhas! Dá um tempo!

Eu sei ser bem higiênica quando eu quero. Na verdade, higiênica não é o termo, é mais algo do tipo obcessiva, do tipo que não manipula alimentos porque uma bola de pus reside na panturrilha. Nhé, é que tem a panturrilha mas tem umas na mão também. E tem a do dedinho. Céus, sumiram as pilhas da minha cam pq eu juro que acordei decidida a fotografar e divulgar a foto junto com a nota “essa e mais 1500 bolinhas de pus você só encontra aqui, no Kika Discovery Channel”. Trash até a alma.

É, bebé, tava bem legal enquanto a vida era zoação pela internet, alucinações febris e coisas amenas do tipo. O mundo real é que não vai ter graça nenhuma. E céus, como eu preciso sair de dentro dessa casa!

(a vizinha da loja – criatura da qual ficarei eternamente livre glória glória – disse que teve catapora com 24 anos e que a dela fedia… eu não sei quando a ela, mas eu sou limpinha e cheiro a pêssego – a ponto de nunca mais chegar perto de um sabonete da avon na vida… mas ai que pavor… agora eu passo o dia me cheirando feito cachorro esquizofrênico!)

 
Mas quer saber o que eu acho mesmo? E nem foi uma alucinação febril noturna. Pra mim tudo isso foi culpa da chuva de meteoros. O que vocês vêem na tv é uma versão de 45 minutos pra cada poder especial ser descoberto, explicado e, se não for bem administrado – esmagado feito uma caquinha. Eu digo que leva tempo. E eu me pergunto que poder especial eu terei a partir da cura. Bom, essa noite eu sonhei que eu era a garota desenho digital e que minha arma secreta era a projeção da paleta do Photoshop – justo Photoshop, num comportamento bem “tenho poderes e não sei usar”. Bão, se a gente for pensar freudianamente… é mais ou menos isso não é?

Ai, chega de filosofar…

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