Arquivos de 13 de January de 2006

Discursinho furado

Ó, não rola mesmo sair de casa se eu não quiser que as pessoas me tratem como uma aberração mutante. Uma vizinha, fofíssima (estrangula), fez o favor de gritar do meio da calçada se eu estava com catapora.

Não tô com nada, minha mãe tá na padaria.

Ah te catá, né?

 
Amanhã tem a formatura da faculdade do meu pai e eu não vou nem amarrada. Até tinha pensado na possibilidade de colocar o narizinho inchadinho de baratinha menstruada pra fora, mas certeza absoluta de que a última coisa que eu quero é a que mais vai acontecer: bando de gente suada (pq tá um calor do cão aqui) vindo me cumprimentar, perguntando o que eu tenho e insistindo no contato físico porque “ah, eu já peguei isso quando era criança mesmo”. Pegou, problema seu, mas eu não tô afim de trazer sujeira pra dentro das minhas feridinhas! Dá um tempo!

Eu sei ser bem higiênica quando eu quero. Na verdade, higiênica não é o termo, é mais algo do tipo obcessiva, do tipo que não manipula alimentos porque uma bola de pus reside na panturrilha. Nhé, é que tem a panturrilha mas tem umas na mão também. E tem a do dedinho. Céus, sumiram as pilhas da minha cam pq eu juro que acordei decidida a fotografar e divulgar a foto junto com a nota “essa e mais 1500 bolinhas de pus você só encontra aqui, no Kika Discovery Channel”. Trash até a alma.

É, bebé, tava bem legal enquanto a vida era zoação pela internet, alucinações febris e coisas amenas do tipo. O mundo real é que não vai ter graça nenhuma. E céus, como eu preciso sair de dentro dessa casa!

(a vizinha da loja – criatura da qual ficarei eternamente livre glória glória – disse que teve catapora com 24 anos e que a dela fedia… eu não sei quando a ela, mas eu sou limpinha e cheiro a pêssego – a ponto de nunca mais chegar perto de um sabonete da avon na vida… mas ai que pavor… agora eu passo o dia me cheirando feito cachorro esquizofrênico!)

 
Mas quer saber o que eu acho mesmo? E nem foi uma alucinação febril noturna. Pra mim tudo isso foi culpa da chuva de meteoros. O que vocês vêem na tv é uma versão de 45 minutos pra cada poder especial ser descoberto, explicado e, se não for bem administrado – esmagado feito uma caquinha. Eu digo que leva tempo. E eu me pergunto que poder especial eu terei a partir da cura. Bom, essa noite eu sonhei que eu era a garota desenho digital e que minha arma secreta era a projeção da paleta do Photoshop – justo Photoshop, num comportamento bem “tenho poderes e não sei usar”. Bão, se a gente for pensar freudianamente… é mais ou menos isso não é?

Ai, chega de filosofar…

May the force be with me

Você sabe que a sua doença acabou quando acorda mau humorada e com um finiquito enorme pra sair de casa. Mas eu não posso sair de casa. Porque tem essa tal de quarentena e eu não posso nem pensar na chance de um germezinho, uma bacteriazinha, nada dessas coisas, entrando por uma das feridas. Dizem que é esse o perigo. E dizem que esse período dura 40 dias (curtirá Kika o Carnaval em Salvador atrás do trio elétrico?). Mas principalmente porque eu ainda não estou esteticamente apta, já que na primeira vez que eu vou até o portão em 4 dias eu assusto uma criança. E veja bem, eu nem posso me divertir com isso fazendo *boo* por toooda essa questão ética/econômica minha-mãe-tem-loja-no-bairro-e-todo-mundo-me-conhece.

A cada dia que passa a minha vontade de sair desse bairro só aumenta. E como catapora é uma vez só na vida (?!…) eu nem vou poder aproveitar essa chance pra fazer maldade. Suck.

Sei lá, não tá sendo nada bom pra minha sanidade (e pra integridade física da população local) ficar fechada aqui, sem poder espoliar o rosto, hitratar o cabelo, retocar o ruivo-hemorragia (se bem que eu tenho visto tto vermelho em mim mesma que, sério, eu enjoei). Como eu não consigo parar muito tempo numa coisa só (tipo esse post que eu já larguei e voltei umas 3 vezes na última meia hora) não rola estudar nem desenhar (aliás, desenhar dói fisicamente falando). Então o que eu faço? Vou pro orkut criar intriguinha. O passatempo preferido das pessoas sem noção e com muito tempo livre, todo mundo sabe. Acho que o que eu mais gosto é entrar nas comunidades de web pra meter o pau nos trabalhos das crianças. Sei lá, tem coisa que não se pergunta, depois que perguntou aguenta a resposta.

Ah tá, eu arrumei mais um possível passatempo: esse site russo tem todas as trilhas sonoras do mundo. Tem até a trilha do Just Like Heaven que eu não achei em torrent. Mas é download por brownser. Tô ouvindo a primeira faixa, se prestar eu já tenho um brinquedinho novo.

Oh, dear, eu quero ir pro cinema!!! Assistir DVD em casa na tv grande estéreo não é a mesma coisa! Bom, meio porque eu só tenho filme que eu já assisti alguma vez, então nem novidade é. O que não é ruim do ponto de vista da torneirinha: não tô podendo chorar nesse estado pra não estragar casquinha da cara.

Ai, difícil, difícil, difícil!!!


Ouvindo: Just Like Heaven – Katie Melua